Análises

Publicado em 27th abril, 2018 | by Giuseppe Turchetti

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Vingadores: Guerra Infinita

Eis que a espera chega ao fim. Toda a expectativa criada e cultivada por 10 anos, com 18 filmes, resumida em duas horas e meia que culminam no maior acontecimento cinematográfico dos últimos anos. Não só a responsabilidade de entregar a emoção correspondente a todo esse fardo, Guerra Infinita ainda carrega a missão quase impossível de reunir cerca de 60 personagens, sendo tantos deles protagonistas de suas próprias histórias, sem perder o foco na construção do vilão que conduz a trama, Thanos.

Como era de se esperar devida magnitude da obra, o filme já começa tenso e mostrando a que veio. E um dos grandes trunfos que se destaca logo cedo é a montagem. O ritmo é impecável. Não existem barrigas enfadonhas durante a história. Tudo é importante, tudo é denso e as cenas intercalam os núcleos de forma natural e progressiva. Ainda que, tecnicamente falando, existam alguns cortes secos e prematuros, típicos de filmes que têm muito a dizer e querem economizar tempo (como no recente Liga da Justiça), a maior importância aqui não é a técnica, mas a emoção. E é nesse quesito que podemos, se não alcançar a utopia, chegar muito próximo da perfeição.

Guerra Infinita é uma obra, definitivamente, feita para fãs. O roteiro do longa não se preocupa em apresentar nada. Somos rapidamente situados sobre os diferentes núcleos e daí em diante, o desenvolvimento é constante. Por mais incrível e corajoso que pareça, estamos diante de um filme que, embora carregue os heróis no título, enaltece seu vilão do início ao fim. Thanos é o protagonista aqui. Todo seu arco dramático bem como motivações são explicados satisfatoriamente e sem exageros, sem redundância, de forma que a história soa natural e convincente, quase ao ponto de simpatizar o público aos pensamentos do tirano.

A direção de Anthony e Joe Russo, que já se provou muito efetiva desde Capitão América 2, aqui chega em seu estado de maior evolução, orquestrando as cenas de maneira primorosa, onde todos os detalhes são possíveis de acompanhamento pelo público, sem perder nada mesmo com ação desenfreada. As batalhas são de encher os olhos. As equipes inusitadas que se formam ao longo da trama trazem frescor e situações tensas ao mesmo tempo que outras coisas engraçadas acontecem, organicamente, sem forçar a barra. Fora da ação, as subtramas têm peso e atraem a atenção sem tornarem-se cansativas, mesmo com quase três horas de duração, sendo quase impossível desgrudar os olhos da tela. O trabalho de computação gráfica realizado em Thanos é mais um ponto impressionante. Ficam muito claras as expressões faciais do ator Josh Brolin sob a pele do vilão. Cada plano detalhe, cada movimentação ou demonstração de poder é um espetáculo visual. Já os seus asseclas são bem menos caprichados. Ainda que satisfatórios, fica clara a despreocupação com um capricho maior nas outras criaturas espaciais menos importantes, que tem rostos e texturas genéricas e, muitas vezes, a movimentação facial não agrada, parecendo dessincronizada com a voz. Detalhe que não diminui em nada a competência do projeto.

Mesmo que não tenha um roteiro perfeito, até pela quantidade de situações ocorridas em apenas um filme, a narrativa é excelente e consegue surpreender tanto quanto prende a nossa atenção enquanto nos faz esquecer de alguns possíveis assuntos mal resolvidos ou explicações insatisfatórias. Apesar de passar rápido demais por algumas partes ou subutilizar personagens que, honestamente, nem precisavam aparecer, todos os heróis têm seu tempo em tela. Os irmãos Russo conseguem dimensionar o tempo e espaço de maneira que cada personagem tenha sua importância, objetivo e momento memorável. Seria injusto, porém, não mencionar que Thor (Chris Hemsworth) brilha como nunca antes e deixa claro sua alcunha de deus nórdico.

Cinematograficamente falando, Vingadores: Guerra Infinita é apenas mais um filme de super-heróis, com muito mais exagero a começar pela reunião de tantos outros filmes antecessores em apenas uma história, com ação de início ao fim e sem grandes inovações para o gênero, apresentando, ainda, alguns pequenos deslizes técnicos, como a extrema dependência do conhecimento dos outros filmes dos estúdios Marvel para uma boa experiência. Sorte a nossa que isso tudo não importa quando enxergamos o escopo muito maior e já acompanhamos esse crescimento há anos, sendo presenteados com esse ponto de virada que trará a nova era dos filmes de herói para o cinema. Que coragem!

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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