Análises

Publicado em 4th maio, 2018 | by Giuseppe Turchetti

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Verdade ou Desafio

Um filme que ousa chegar aos cinemas no curto espaço de tempo de uma semana após o tão aguardado Vingadores: Guerra Infinita só pode ser muito despretensioso ou não ter nada a perder. No caso de Verdade ou Desafio, a segunda opção parece ser a que melhor resume a coragem do longa que, apesar disso, é produzido pela Blumhouse, dos recentes acertos “Corra!” e “A Morte Te Dá Parabéns”.

Sem inovações estruturais e seguindo o padrão estabelecido por tantos outros horrores adolescentes do passado, o filme apresenta o grupo de jovens da vez que vai se meter em algo muito ruim até que, um a um, vários deles morram. E isso não é spoiler, afinal é o escopo inicial do gênero. A grande sacada talvez seja a premissa inovadora de incorporar uma brincadeira mundialmente popular nessa mistura. No mínimo curiosa, a ideia de jogar Verdade ou Desafio com consequências tão pesadas funciona para prender a atenção do público na maior parte do tempo e nos faz ansiar pelas partes da história onde o jogo realmente avance, ainda que nem sempre a evolução corresponda a expectativa.

Mesmo sendo possível notar um nítido esforço da produção em criar uma tensão real e onipresente, o roteiro é responsável por sabotar toda a boa vontade contida em suas intenções. O texto da narrativa é pobre. O maior problema de Verdade ou Desafio é com seus personagens extremamente rasos e irritantes. A relação entre os amigos envolvidos na trama é tão mal explorada e desenvolvida que eles mesmos acabam agindo de forma apática diante de situações absurdas, causando, automaticamente, a mesma apatia em quem os assiste. Fica impossível se importar com algumas perdas que, simplesmente, não fazem diferença para os rumos da história. A única exceção é o personagem de Hayden Szeto, que tem um plano de fundo interessante com um conflito atual envolvendo seu pai, trazendo substância para sua subtrama. As atrizes Lucy Hale e Violett Beane até vão bem em dar vida às suas personagens, entretanto as decisões de roteiro as tornam insuportáveis ou incoerentes.

Pelo menos, podemos dizer que a direção de Jeff Wadlow tem mão firme e se sustenta com estabilidade durante os 100 minutos de projeção. Dentro do gênero de terror, a tentação de se render aos famosos jump scares é grande. Wadlow, porém, se limita em utilizar a técnica pontualmente e prefere criar tensão a partir das regras estabelecidas pela própria trama. Um trunfo do diretor, conseguindo também criar uma espécie de marca pessoal com os rostos bizarros que mostra em tela. E, com muito empenho, ainda é possível enxergar um fundo de mensagem que o filme quer passar sobre as verdades rasas e mentiras profundas que escondemos no dia-a-dia.

Verdades sejam ditas sobre o filme que tinha um grande desafio de tornar a boa premissa em algo divertido e interessante: um amontoado de boas intenções que até divertem e intrigam, mas não se sustentam ao ponto de serem relevantes. E como já dizem as máximas… De boas intenções o inferno está cheio.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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