Um Pequeno Favor

No clássico início da popularização do cinema, as obras carregavam consigo alcunhas que determinavam o tipo do filme e, consequentemente, qual o público indicado para o mesmo. Com a organização dos termos adequados, foram criados os gêneros cinematográficos mais primários como os musicais, comédias, dramas e suspenses. Algumas variações foram surgindo com o desenvolvimento da sétima arte, tornando comum a mistura entre gêneros em películas mais autorais. E, pode se dizer que, a partir dessa amálgama de estilos, surgem filmes como Um Pequeno Favor, se encaixando como uma comédia dramática, com suspenses, mistérios e crime.

Partindo de uma premissa aparentemente simples e sem grandes pretensões, o longa acompanha a mãe solteira Stephanie (Anna Kendrick) lidando com seu status de recém viúva, tentando evoluir um canal de vídeos onde ensina receitas na internet. Sua pacata e desinteressante vida muda ao conhecer a mãe de um coleguinha do filho, Emily (Blake Lively). Aliás, esse é o ponto da projeção que muda o jogo não só para a protagonista, mas também para todos que estão acompanhando. Ajudada pela direção precisa, Emily já entra em cena como alguém a ser admirada, atraindo olhares e a atenção por seu semblante superior e misterioso.

A direção de Paul Feig, habituado com as comédias, se mostra consistente na maior parte do filme ainda que não traga nada digno de ser lembrado com maior apreço. Esse, claro, já é um mérito ao realizar as passagens entre gêneros de maneira natural, tentando, ao máximo, manter os pés no chão e tornar a trama crível e verossímil dentro do contexto. Por mais que as situações fiquem tensas, as atitudes de Stephanie são sempre condizentes com a caracterização que Kendrick deu à personagem, cheia de carisma para nos colocar ao lado dela em sua jornada. Já Lively, por sua vez, consegue o tom certo para viver sua enigmática Emily.

Normalmente, porém, as maiores virtudes podem ser, também, as maiores fraquezas. O roteiro é bem escrito, bem executado e tem o poder de manter o público entretido e curioso com o desenrolar da trama. Da mesma forma, porém, acaba se entrelaçando em seus mistérios cheios de idas e vindas que quase ocasionam nó na cabeça em alguns momentos. Para aliviar a complexidade exacerbada, opta por algumas exposições para facilitar a vida dos espectadores, resultando em pequenas cenas ou diálogos um tanto abaixo da média do restante da produção, que, entretanto, não prejudicam o resultado final.

Conseguindo tirar expressões sinceras das mais diferentes formas como sorriso, surpresa, dúvidas, espanto e até vergonha alheia e trazendo tamanha mistura de gêneros, o filme figura como uma daquelas gratas surpresas que não prometem muita coisa e entregam muito mais que o esperado.

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Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do site Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!