Análises

Publicado em 6th abril, 2018 | by Giuseppe Turchetti

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Um Lugar Silencioso

Uma produção de Michael Bay que tenha silêncio desde o título é algo que, no mínimo, já deveria causar curiosidade em grande parte do público. Além disso, sendo estrelado e dirigido por John Krasinski, mais conhecido por suas comédias, como a versão americana de The Office, a aventura do ator pelos gêneros de terror/suspense se torna mais um ingrediente interessante dessa obra.

No melhor estilo dos grandes nomes do terror, Um Lugar Silencioso encontra seu grande trunfo logo no início. Não só trazendo um real e raro silêncio para a sala de cinema, que faz com que cada mastigada de pipoca ou barulho do ar condicionado sejam fortemente notados, o longa dá a partida com uma simplicidade dificilmente encontrada nos dias de hoje. Ao invés de optar pelos pleonasmos exaustivos, um leve tom retórico é abordado para contextualizar o público sobre a situação do universo estabelecido. Placas que compõem o cenário, manchetes de jornais velhos e pouquíssimos diálogos em linguagem de sinal são o suficiente. Sem dizer como nem porque chegamos naquele momento, o foco é a sobrevivência daqui em diante.

Dadas as regras do jogo, qualquer barulho pode ser mortal por atrair as criaturas estranhas que dilaceram o que quer que esteja pela frente. A adaptação a essa nova condição é fundamental para sobreviver nesse ambiente de total hostilidade e silêncio. Nesse clima tenso que a história mostra uma família que, isolada no campo, tem como principal objetivo proteger os filhos a qualquer custo. Uma ótima sacada do roteiro é colocar essa relação familiar em primeiro plano, deixando os monstros misteriosos como uma característica de pânico pontual na trama. Juntamente com a convicção de Krasinski como o pai de família protetor, temos a excelente atuação de Emily Blunt (não por acaso, também esposa de Krasinski) descarregando seu desespero nos espectadores que, juntamente com a proposta do filme, se calam num silêncio profundo de tensão e preocupação.

Assim como seu belo roteiro e narrativa, o longa conquista uma grata surpresa na direção de Krasinski que obtém sucesso na forma de filmar. Com enquadramentos artísticos e movimentação limpa de câmera, é possível apreciar tudo que acontece em tela (aprenda, Michael Bay!) e se horrorizar com cada detalhe – atenção a cena do prego. E ao ter a ausência de ruídos como fator de maior importância na trama, os efeitos sonoros tem relevância imprescindível, bem como a trilha sonora que dá as caras apenas quando se faz necessária. Uma aula de como se usar bem alguns elementos básicos do cinema.

Contendo uma trama sólida e memorável, Um Lugar Silencioso é exemplo de filme simples e contido, que sabe utilizar uma boa ideia sem querer hiperbolizar e acabar perdendo a mão. Se mantém como ótimo suspense e é inteligente em transpor o medo da tela para a sala do cinema.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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