Análises

Publicado em 21st julho, 2017 | by Giuseppe Turchetti

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Transformers: O Último Cavaleiro

Eis que, sem ninguém pedir e com quase ninguém se importando, chegamos ao quinto filme de Transformers. E falar dessa franquia multimilionária do cinema exige, primeiramente, conhecimento sobre o grande pai e realizador de tudo isso: o diretor Michael Bay.

Em um sucinto, porém completo, resumo, pode-se dizer que Transformers 5 é Michael Bay sendo ele mesmo em sua mais pura essência. O diretor, que pode carregar o fardo de incompreendido ou até mesmo de ser afrente de seu tempo, tem características peculiares de fazer cinema. É inegável a qualidade visual e o esmero que Bay emprega em todo o longa. A fotografia é repleta de cores vibrantes e quadros bem construídos, com ótima utilização do espaço das cenas e profundidade proporcionada pelas câmeras 3D, já que tudo é filmado com a tecnologia, ao invés de ser convertido para o 3D na pós produção, como a maioria dos filmes de hoje. É um espetáculo técnico com primor em efeitos visuais e sonoros, digno do tamanho do orçamento disponível para toda a franquia. Toda essa tecnologia e plasticidade em prol de enfadonhos 150 intermináveis minutos de ação desenfreada (e explosões!) com a nítida irresponsabilidade com a história a ser contada, deixada em segundo, talvez terceiro ou quarto, plano.

Mostrando que os Autobots estão presentes em nosso planeta desde a idade média (o que não é grande coisa se levarmos o filme anterior em consideração, já que vimos robôs assumirem formas de dinossauros…), as primeiras cenas do longa mostram as batalhas de Rei Arthur e suas tropas no que é, mais uma vez, tecnicamente impecável na beleza do que vemos em tela. A magia do mago Merlin é dada como, na verdade, tecnologia alienígena usada como vantagem na guerra. Voltando ao presente da trama, são apresentados novos elementos e personagens que, no fim das contas, não vão servir para quase nada. O foco volta a ser nos humanos enquanto os robôs são coadjuvantes e ajudantes nas aventuras. Temos até um transformer mordomo. Mark Wahlberg retorna com sua atuação esforçada, mas não consegue a química desejada com sua companheira Laura Haddock. As piadas até tiram risos, algumas porém, não pelo motivo certo, mas pela vergonha alheia. E arriscar explicar um pouco mais sobre a história pode ser um esforço inútil. Risco o qual prefiro não me ater.

O filme até se preocupa com algumas questões, como a clara tentativa de se desculpar pela objetificação das mulheres em suas histórias anteriores, adicionando personagens femininas muito mais fortes e interessantes dessa vez. O desenvolvimento, porém, é pífio, visto que a ótima Izabella, vivida pela atriz de descendência peruana Isabela Moner, é deixada de lado por mais de uma hora até seu retorno conveniente apenas na luta final. Batalha que, aliás, parece acontecer cinco horas após o início do filme, ao passo que a tentativa de transformar todas as cenas em épicos particulares, a projeção parece durar muito além de suas duas horas e meia.

Contando com grandes furos de roteiros e vários elementos subutilizados, Transformers: The Last Knight (no original) ainda apresenta evoluções se comparado, principalmente, na ação com seus antecessores. Com cenas mais limpas e menos cortes frenéticos, é possível até entender, algumas vezes, o que acontece realmente em tela. Vale a menção para a excelente representação visual de Cybertron, o planeta dos robôs e todos os diferentes Transformers das mais variadas formas. Enfim, esse, definitivamente, não é um filme para reflexões ou ensinar lições. Mas para desligar o cérebro e curtir a insanidade e incoerência de robôs gigantes que se transformam em carros e demais máquinas enquanto lutam por algo que nem entendemos (e nem queremos mais entender!) direito.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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