Análises

Publicado em 27th outubro, 2017 | by Giuseppe Turchetti

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Thor: Ragnarok

Depois de dois filmes solos e dois com a equipe reunida, que tentaram fazer de Thor (Chris Hemsworth) um grande herói e falharam no processo, a Marvel Studios resolveu mudar. E a mudança foi completa. Novos ares, diretor, direção artística e até o cerne do personagem. As histórias de super-heróis que eram carregadas de piadas se transformaram, dessa vez, em um verdadeiro filme de comédia com os super-heróis inseridos.

Grande parte da responsabilidade pela mudança se chama Taika Waititi, diretor que foi escolhido pelo estúdio mesmo com poucos trabalhos no currículo. Com uma veia cômica muito bem definida, Waititi deixa de lado o tom épico, rebuscado e durão do asgardiano e faz o personagem renascer mais leve e jovial. Aspectos que, certamente, atingem muito mais a tal conexão com o público. Correspondendo todo o tom do filme com a estética definida, que aliás é merecedora de elogios pela fotografia incrível que evoca o exagero e o colorido do saudoso quadrinista Jack Kirby, o longa consegue mostrar a que veio logo nos primeiros minutos com um prólogo cheio de piadinhas, situações inusitadas e uma batalha muito bem coreografada e filmada, ilustrando bem a forte presença da identidade de Taika.

Focando em uma história bem fechada sobre Thor e Asgard, sem grandes revelações ou surpresas, fato já esperado dentro do contexto Marvel, o frescor da novidade vem, porém, com a exploração da nova pegada diferenciada que a obra propõe. Boa parte do desenvolvimento se passa no planeta conhecido como Sakaar, onde nada é convencional, a começar por seu regente, Grão-Mestre (Jeff Goldblum), um dos papéis mais divertidos do filme. Todos os novos personagens são cativantes e se prontificam a fazer o público rir a qualquer instante, enquadrando-se, inclusive, nessa característica o já conhecido Hulk (Mark Ruffalo), que por se manter na forma monstruosa desde o final de Vingadores 2, adquire mais consciência e se comporta de maneira totalmente diferente do que vimos anteriormente. Já a Valquíria de Tessa Thompson se destaca e rouba a cena com suas características de mulher forte e independente, que dá conta de ser uma das mais ilustres moradoras de Sakaar.

Com roteiro simples e direto, aparentemente despreocupado em criar grandes amarras ou tapar buracos deixados anteriormente, o longa resolve pequenas dúvidas em rápidas linhas de diálogo expositivo. Com a mesma simplicidade é tratada a vilã Hela, encarnada sob medida por Cate Blanchett. A deusa da morte é maravilhosa em vários quesitos, contando com visual incrível, habilidades bem exploradas, frieza impiedosa e um glamour natural. A ressalva fica apenas por conta da motivação que insiste em seguir a linha puramente maniqueísta dos estúdios Marvel, onde os vilões, normalmente, são maus porque nasceram para ser, sem desenvolvimento que criem camadas e intenções melhores definidas do que destruir tudo para relembrar os velhos tempos de conquistas na guerra. Indo na contramão disso tudo, a relação entre Thor e Loki (Tom Hiddleston) tenta adicionar tais níveis de complexidade que acabam destoando do restante e, sem o aprofundamento necessário, acaba se tornando previsível e cheia de vai e vem.

Concebido como uma comédia, Thor: Ragnarok tem todas as características fundamentais de um ótimo filme do gênero, desde sua execução que, por horas é extremamente acelerada, com cortes rápidos e muito uso do plano e contra-plano, típico de comédias, mas que podem causar estranhamento por parte do público. Levando, praticamente, tudo na brincadeira, com as já famigeradas gracinhas incluídas até nos momentos em que deveriam ter maior carga emocional, o que tira e muito o peso das perdas e das decisões, o longa já sustenta a alcunha de um dos mais divertidos e diferentes da Casa das Ideias e, ainda que tenha baixo potencial de durabilidade pós sessão, é, sem dúvidas, um filme que diverte muito e faz valer cada centavo do ingresso durante a projeção.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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