Robin Hood – A Origem

A história do herói que rouba dos ricos para dar aos pobres é, certamente, uma das mais revisitadas dos clássicos do cinema. Com algumas versões memoráveis e outras nem tanto, a questão que fica é sempre a mesma: será um bom momento para se recontar essa lenda com algo novo a dizer?

A proposta dessa versão é ultra simplificada e bem fácil de entender. Trazer uma velha história para a nova geração com uma nova linguagem, mais moderna, com objetivo de fazer dinheiro, ou seja, instaurar uma franquia. O desespero, porém, parece tanto que os produtores estão se esquecendo que, para tal, ainda é necessário ter uma boa narrativa que conte algo relevante e que desperte no público vontade de assistir, além de uma construção atenciosa do universo a ser explorado. E esses requisitos passam longe de serem preenchidos aqui.

O elenco principal tem bons nomes. Taron Egerton se esforça em emprestar todo seu carisma ao personagem-título, mas sofre com a profundidade pífia de seu texto. Esse, aliás, é o fator que derruba o filme. Com seus 91 minutos, o longa mal sabe o que deveria mostrar e corre com a narração de maneira que fica impossível do público se relacionar com qualquer personagem. A passagem de tempo é acelerada e mal demarcada e, sem tempo para nada, nenhum desenvolvimento é satisfatório para dar substância ao enredo, principalmente se tratando da relação entre o protagonista e sua amada, Marian (Eve Hewson). O roteiro é pobre, previsível e cheio de clichês, além de não conseguir passar momentos de tensão ou conflito verdadeiros, ainda que se utilize das mais tradicionais formas de desafios crescentes para simular uma apreensão crescente inexistente.

A direção de Otto Bathurst tenta emular ao filme uma cara de modernidade e aproveita de recursos atuais, demasiadamente, para isso. O uso excessivo de câmera lenta chega a cansar o espectador, embora os momentos de slow motion sejam os mais inteligíveis nas cenas de ação. Esses momentos são recheados de câmeras trêmulas e cortes irritantes, impossibilitando a compreensão na maior parte dos casos. Aliado ao design de produção desastroso, totalmente perdido, que insiste em figurinos descabidos para a época em que a lenda se passa, pouco, ou quase nada, sobra para se admirar.

Aos menos exigentes e aqueles que só querem passar um tempo se divertindo no cinema, Robin Hood – A Origem tem a oferecer um breve vislumbre de entretenimento, uma vez que sua maior virtude é exatamente essa: acabar rápido.

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Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do site Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!