Análises

Publicado em 27th abril, 2018 | by Giuseppe Turchetti

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Rampage: Destruição Total

Já estamos todos cansados de saber sobre as adaptações que Hollywood faz de games de sucesso. Ao invés de ser redundante nesse aspecto, manterei o foco em uma questão diferente dessa vez: meio a tantos jogos com histórias incríveis, praticamente prontos para irem às telonas, como terá sido a ideia, de onde terá surgido o pensamento de filmar logo Rampage? Não é que seja um jogo ruim, longe disso, aliás, mas nascido no final da década de 80, onde a preocupação dos produtores de videogames estava longe de ser um roteiro interessante, o game foca em animais gigantes que destroem várias cidades pelo mundo enquanto devoram pessoas. Apenas isso.

Dentro desse contexto extremamente simples, parece que o único elemento direto dos jogos que poderia ser trazido para o cinema era, de fato, a diversão que isso tudo trazia aos jogadores. Apostando nisso, Rampage traz como protagonista o ator Dwayne Johnson que, por si só, já é um ponto alto do longa. Johnson é sempre carismático e ótimo tanto em cenas de ação como alívios cômicos, mesmo com o roteiro dando a ele algumas falas bem ruins. Todos os outros atores ficam apagados por seus personagens fracos, dispensáveis e que, normalmente, servem apenas a algum propósito específico da trama, sendo descartados a seguir. Em especial, a dupla de irmãos vilões consegue causar vergonha alheia no público, tamanha caricatura sobre seus personagens.

Diante do desafio de criar algo minimamente aceitável como plano de fundo para a destruição, o roteiro se esforça para entregar uma lógica aos acontecimentos, o que é louvável. Dentro dessa “mitologia”, o diretor Brad Payton até entrega algo coerente e até “pé no chão” para a proposta, que se importa em desenvolver a trama antes de oferecer o prometido. O problema é justamente nesse desenvolvimento pífio que não conquista empatia do público e traz resoluções tão simples aos desafios da trama que acabam soando como idiotices. A narrativa até cria momentos de tensão, cenas interessantes de se ver, porém acaba sempre deixando a sensação de inquietude em quem assiste, se perguntando onde estará a tal destruição total do título.

Ao chegar do terceiro ato do longa as coisas melhoram e muito. Não por acaso, afinal é a parte em que o filme resolve mostrar a que veio e coloca a cidade de Chicago abaixo. Os efeitos são bem convincentes, a destruição é bonita de se ver em tela grande, bem como a movimentação dos animais gigantes é fluída e realista. Finalmente somos presenteados com a tal diversão real trazida direto do material de origem. Aos fãs atentos, algumas referências aos jogos também são mostradas em tela numa tentativa de fidelidade ao videogame.

Sem apresentar novidades ao gênero, Rampage: Destruição Total, pelo menos, bebe de uma fonte inesperada ao englobar o estilo de filme-desastre com um jogo que, até tempos atrás, muitos nem lembrariam. Ainda que cumpra com competência a parte do desastre, divirta e cause certa nostalgia aos conhecedores da franquia, a despretensão (acertada) aliada com tamanha despreocupação com o resto do filme torna a adaptação apenas um filme esquecível com The Rock e um gorila gigante.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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