Que Brasil você quer construir?

Censura é uma palavra forte, traz lembranças dolorosas e tem um peso sem tamanho quando se é dita no Brasil, um país jovem de história escrita, que há bem pouco tempo não sonhava em viver essa primavera tropical, esplendorosa, forte e audaciosa que vive há alguns dias, muito menos em vivê-la em pleno inverno.

Desde o começo do Movimento Passe Livre, mais jovem ainda e mesmo assim com a força de todo um Brasil, a palavra Censura veio perturbar meus pensamentos de todas as formas e teve um motivo bem claro: seu significado. Censurar é o ato de Criticar, Condenar, Reprovar, Repreender; ações que sempre vieram de um personagem sem rosto e nem forma no nosso país, mas sempre vinham de cima na nossa hierarquia social.

Ao longo de nossa história a Censura foi feita por um Imperador, foi feita pelo governo, foi feita pela mídia, mas nunca, de forma tão forte, foi feita pelo povo. Poucos (inclusive a autora que lhes escreve) imaginavam que esse ato de Censurar pudesse mudar tão radicalmente de posição, com tanta força, empolgação, crença, beleza e pacificidade.

O povo resolveu censurar quem está em cima, quem lhes dá informação e a própria vida que leva, ficou claro que nós estamos cansamos de ser o povo cordial, inerte e fácil de manobrar.

É óbvio que isso tudo vem de um passado, que a mudança veio ocorrendo gradualmente, pois há alguns anos as manifestações vêm acontecendo, sempre pontuais e dispersas, todavia hoje podemos dizer que isso mudou: a manifestação conseguiu unir uma nação de vários Brasis. Manifestação essa que veio do povo e para o povo, que não precisou de “jornalismo oficial” para ser dispersa e nem precisa deste agora.

Com poucos dias de mobilização, os atos já foram comentados de diferentes maneiras, do povo à mídia tradicional os jovens passaram por transformações estereotípicas: baderneiros, vândalos, “ignorantes políticos”, protestantes, manifestantes, revolucionários. Assim como a opinião da grande mídia, a imprensa mudou de opinião, mas será que mudou de lado?

Essa e outras dúvidas se aglomeram entre as pessoas, tem muita gente que não sabe ao certo o que está acontecendo, embora esteja exigindo muitas respostas. O fato é que o movimento é novo, as informações a respeito são diversas, vem de vários estados e de várias cidades brasileiras, é lógico que devemos entender o movimento, já que não se adere àquilo que não se conhece, contudo devemos entender também que o movimento está começando, está se organizando, é preciso ter calma e paciência.

As manifestações de São Paulo se definem como “Movimento social autônomo, horizontal, independente e apartidário que luta por um transporte público gratuito e de qualidade, sem catracas e sem tarifa”, é uma luta que não vem de hoje, mas hoje se tornou nacional, conseguiu mobilizar e mover todo um país, o qual está cansado de abusos, seja no setor do transporte público, de saúde, educação ou até mesmo na falta de gentileza, tão comum e tão agressiva, e que ficou clara com a ação dos policiais durante as manifestações.

A juventude brasileira se levantou, “saímos da internet e viemos para a rua”, é esse é lema, é esse o sentimento que deve vir não só de nós jovens, mas também de nossos pais e professores, pois vocês, educadores dessa juventude, não só podem como devem entender e participar da causa, já que esta não é individual, muito pelo contrário: a causa a é nossa.

A jornalista Laísa Amaral, que participou da Manifestação que aconteceu em Brasília, afirma que na capital do país “tudo começou no sábado, não tem nem uma semana. Acho ridículo quem fala que o movimento não está organizado agora. Não está, mas nem tem que estar, né? Isso leva tempo. Pra algo que foi organizado em dois, três dias, fizemos um trabalho excelente!”. Não é difícil concordar com ela, quem está participando dos movimentos está vivendo isso de forma bem clara, o mais importante no momento é entender que é possível participar, que devemos ajudar a construir os objetivos e dar a direção certa e coletiva, que seja a verdadeira “cara do Brasil”.

Nesse sentido, em nome da equipe do Censura Geek, digo a vocês leitores para não terem medo, para lutarem conosco, por nossos direitos, por nossa educação, por nossa saúde e por nosso transporte público. É possível ajudar de várias formas, mas é bom ter em mente que as mudanças surgem com os movimentos, com as lutas, e para lutar é necessário sair de casa.

Leia, Comente, Censure!

 

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