Análises

Publicado em 16th fevereiro, 2018 | by Giuseppe Turchetti

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Pantera Negra

Apesar de ter dado as caras pela primeira vez em Capitão América: Guerra Civil (2016), essa é a hora do Pantera Negra realmente brilhar sozinho. Em seu próprio filme de origem, o personagem carrega o pesado fardo de ser um exemplo não só de personalidade e liderança, mas de representatividade para todo um povo que ainda luta por seus direitos e liberdade.

O diretor Ryan Coogler já havia mostrado seu potencial em seu trabalho anterior, Creed: Nascido para Lutar, filme que reviveu a franquia Rocky nos cinemas com maestria e rendeu indicação ao Oscar de ator coadjuvante para Sylvester Stallone. Com um orçamento muito maior agora, Coogler ainda assim conseguiu tornar íntima essa nova empreitada cinematográfica, com seu toque crítico e engajado. O desafio aqui era pegar a já conceituada fórmula Marvel e adaptar ao contexto politizado da trama. Assinando também o roteiro, Coogler deixa claro que essa é, sem dúvidas, uma das histórias mais diferenciadas da casa das ideias.

Passando por uma breve, didática e funcional introdução, o filme apresenta suas mitologias e regras de forma clara e orgânica, sem forçar elementos ou insistir em redundância. Sendo assim, após cenas frenéticas de ação ainda no primeiro ato, o longa se dá ao luxo de desacelerar o ritmo da narrativa e focar em suas questões. Questões estas que vão além do esperado e trazem não apenas discussões raciais, porém colocam em jogo a honra, a família e, principalmente, a forma como governar um povo, uma nação. Corajosamente, o filme se afasta das piadas sem fim características da Marvel e se inunda de uma trama mais séria e profunda, mesmo que sobre espaço para alívios cômicos comedidos e coerentes com as personalidades dos personagens.

E por falar em personagens, Pantera Negra é um deleite no assunto, tamanha competência em difundir herói, vilão, protagonistas e coadjuvantes durante a história. Todos têm espaço e relevância, contribuem para o valor da trama e sua mitologia. Chadwick Boseman traz serenidade e humildade ao novo rei de Wakanda, bem como Michael B. Jordan entrega veracidade e convence com seu antagonista, situação rara no universo cinematográfico da Marvel, que costuma apresentar vilões inexpressivos e esquecíveis. Andy Serkis também atrai atenção assim como todo o elenco que compõe e povoa Wakanda tem seu destaque, desde os figurinos e tribos, até, em especial, as Dora Milajes, guarda real, formada por mulheres fortes e inteligentes, que protege o país e seu rei. São tantos detalhes que ajudam a tornar o filme mais crível.

Apesar do grande orçamento, algumas cenas com muito uso de computação gráfica são claramente abaixo do padrão esperado para esse tipo de filme, embora não sejam suficientes para tornar a experiência ruim. O ritmo, já supracitado, também pode incomodar os mais acostumados a ação desenfreada, bem como o cunho político pode, infelizmente, não atingir o conhecimento de todos os públicos, o que é uma pena.

Assumindo grande responsabilidade social, apresentando um ótimo herói com uma cultura incrível e enriquecendo o universo Marvel, Pantera Negra é diferente e bonito, mas vai além. É importante como propagador de diversidade e mensageiro de uma discussão que sempre será atual.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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