Pai em Dose Dupla 2

Ah, o Natal! Aquela época maravilhosa do ano em que o cinema sempre recebe os filmes mais família, mais despretensiosos e, de forma geral, mais parecidos entre si. O primeiro Pai em Dose Dupla se encaixa muito bem nessa fórmula de longas natalinos com objetivo de entreter um amplo público, herdando, inclusive, a fraqueza inevitável do fácil esquecimento.

Dessa vez, a continuação chega como um surpreendente presente do Papai Noel e, embora repita a dinâmica familiar do antecessor, o filme alcança sucesso em expandir a mitologia da família disfuncional, engordando a ceia e trazendo mais parentes para a trama. Will Ferrell continua com seu personagem Brad sendo um idiota quase completo, mas consegue destaque em várias cenas funcionais. Já Dusty (Mark Wahlberg) retorna menos heroico e, portanto, mais vulnerável e com mais camadas de desenvolvimento, principalmente pela chegada de seu pai, o machão Kurt, vivido por Mel Gibson. O outro vovô, pai de Brad, vivido por John Lithgow, termina o banquete de novos personagens adicionando tantas mais cenas hilárias.

Embora o roteiro seja extremamente simples e genérico, com a batida história de várias pessoas se juntando para um natal inesquecível onde vários problemas acontecem com finalidade de moralizar o valor familiar, a execução do filme consegue satisfazer o clichê. É interessante perceber que, com tantas pessoas na trama, o roteiro ainda se preocupa em dar um escopo maior a cada personagem, aprofundando, mesmo que pouco, na história de fundo de cada um, ajudando muito na criação de relação com o público. A exceção fica por conta de Karen, interpretada pela brasileira Alessandra Ambrosio, que, infelizmente, ficou com um papel raso, inexpressivo e quase mudo.

Contando com cenas e piadas em que o divertimento é real, o filme também não deixa de lado aqueles momentos de vergonha alheia que, no fundo, também acabam por arrancar sorrisos. Outro destaque que pode ter uma recepção dualista é a quantidade de referências ao longa anterior. Se por um lado é bacana ver as consequências diretas daqueles momentos, por outro fica difícil a compreensão total por parte dos novos espectadores que não tiveram contato com Pai em Dose Dupla (2015), inclusive pelas relações familiares complicadas de cada membro do elenco.

Leve, divertido e rápido de se assistir, Pai em Dose Dupla 2 vem para garantir a tradição de filmes do gênero relacionados ao fim de ano e faz isso sem reinventar os moldes do cinema, mas com consciência disso, entrega o esperado e desenvolve a história do predecessor. Já podemos considerar um feliz natal.

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