Análises

Publicado em 29th junho, 2018 | by Giuseppe Turchetti

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Os Incríveis 2

Mal dá para acreditar que se passaram 14 anos desde que vimos a família Pêra entrar em ação pela primeira vez. Uma das animações mais queridas de um dos estúdios mais queridos do cinema, a Pixar, parecia alvo fácil de múltiplas continuações ao longo do tempo. O que vimos, porém, foi a paciência e a escolha perfeita do tempo para, finalmente, irmos um pouco além nessa história.

Se o primeiro longa já ia muito além da temática de super-heróis para crianças, com vários questionamentos pertinentes, a sequência se supera nesse ponto. Embora continue carismático, divertido e chamativo para as crianças de todas as idades, Os Incríveis 2 carrega muito mais maturidade adquirida ao longo da década e mostra aos adultos o verdadeiro sentido do que é ser super. Sem abrir mão da ação, do colorido e da escala universal de importância dos heróis, como salvar o mundo, por exemplo, é no escopo mais fechado, simples, trivial que o roteiro se destaca.

Um grande mérito digno de reconhecimento pela sua coragem está logo na decisão de iniciar exatamente a partir de onde paramos no filme anterior. O diretor e roteirista Brad Bird podia ter optado pelo salto temporal que nós, espectadores, passamos, mas preferiu seguir de onde ele parou. Isso nos possibilita acompanhar o desenvolvimento dos personagens quanto família, vivendo o ônus da vida fora da lei a partir do instante em que heróis foram proibidos de atuar. A trama até parece facilmente reconhecível, sem grandes novidades, porém, ainda assim, mantém a atenção na já citada escala da trivialidade, onde a mãe da família, a Mulher Elástica, precisa sair para trabalhar e deixar o marido, Senhor Incrível, cuidando da casa e dos filhos.

Na sutileza de cada expressão de preocupação de Helena ou de desespero de Roberto, nas linhas e entrelinhas de cada diálogo familiar explorando as dificuldades de se manter um relacionamento com tantos problemas corriqueiros que a vida traz e no esforço conjunto, principalmente do casal, em procurar a melhor maneira de superar tais barreiras juntos, sem nunca pensar em desistir da união é que vemos o quão complexo e inteligente Os Incríveis 2 é. Uma verdadeira lição familiar (nem tão) escondida pela alcunha de animação infantil de super-heróis.

Além do peso e da importância dos assuntos tratados, o filme da Pixar não deixa jamais de entreter todos os públicos, como as crianças, que vão assistir puramente pela diversão. O uso dos poderes dos personagens é mostrado de forma inteligente e dinâmica, bem como o tempo de tela para cada um deles brilhar. Algumas participações são pequenas e pontuais, mas acalentam o coração dos fãs. Em especial, a cena em que o bebê incrível Zezé briga com um guaxinim já faz valer o preço do ingresso. A qualidade técnica acompanhou o óbvio desenvolvimento tecnológico que permite, agora, ainda mais detalhes de textura e iluminação estonteantes. A adaptação e dublagem brasileiras continuam sendo sinônimo de muita qualidade e dedicação no que diz respeito em localizar piadas e expressões para fazerem sentido no nosso idioma.

Como única ressalva talvez a duração do filme incomode o público mais novo e impaciente, ainda que seja tão prazeroso de se assisti-lo que suas duas horas parecem passar depressa. Perdendo pontos no quesito inovação e ganhando tantos outros em coração, Os Incríveis 2 mostra que a pressa é a inimiga do bom trabalho e que 14 anos não são exagero quando se tem pretensão de criar uma história atual e significante, que enaltece assuntos tão em voga atualmente.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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