Oito Mulheres e um Segredo

Revivendo a série de filmes de roubos super elaborados que deu as caras pela última vez em 2007, a família Ocean retorna em grande forma. A diferença é que o protagonista anterior, Danny Ocean (George Clooney) é dado como morto logo de cara, dando lugar a sua irmã Debbie, vivida por Sandra Bullock.

A trilogia iniciada em 2001 teve Steven Soderbergh como diretor ditando a estética que, em 2018, foi claramente respeitada por Gary Ross, assumindo o comando do filme das mulheres ladras. Ross segue muito parecido, inclusive, estruturalmente a obra original até mesmo na forma como a narrativa apresenta os personagens, na ordem de aparição e cortes dinâmicos. A trilha sonora milimetricamente encaixada com as cenas também continua como diferencial da franquia, tornando tudo mais artístico e leve, dando aquele ar aventuresco e gostoso de acompanhar.

Atualmente tivemos alguns exemplos de franquias que ousaram trocar toda sua história e recomeçar seus filmes com elenco feminino. Além de soar forçado, algumas experiências ainda foram bem fracas e não mereceram ganhar os holofotes (sim, estou falando de Caça-Fantasmas de 2016). Nossa sorte, porém, é que aqui as coisas foram bem-feitas e, além de respeitaram o passado dos outros filmes, Oito Mulheres e um Segredo consegue trazer a nostalgia dos anteriores sem passar a borracha neles, mirando o futuro com base no passado, como um spin-off, um derivado. E o mais importante: com uma trama simples, mas que faz sentido dentro do universo do filme.

O time de mulheres golpistas foi muito bem escalado contando com, além de Bullock esbanjando charme e confiança, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Rihanna, entre outros nomes que só ajudam na qualidade do elenco, todas perfeitamente encaixadas com suas personagens. Com tanto carisma, o roteiro consegue a suavidade necessária para não perder tempo com alguns desenvolvimentos mais detalhados, ajudado pela narrativa rápida e dinâmica. A história pode até contar, é claro, com os típicos empurrões do acaso que insistem em colaborar para o preciso acontecimento dos fatos como planejado, mas nunca desafiando demais a suspensão da descrença do público. Aliás, essa afinação entre direção, atuações e enredo amarrado colabora na criação de uma atmosfera de glamourização do crime, dando o sentimento invertido de aceitação e condescendência com o erro de praticar ato ilícito. Sentimento típico da franquia.

Não só honrando o legado herdado como também prometendo deixar um campo aberto para explorar novas possibilidades no futuro, Oito Mulheres e um Segredo (Ocean’s 8, no original) prova que não é apenas mais uma versão feminina, mas sim uma obra que caminha com suas próprias finalidades, conseguindo proporcionar curiosidade e diversão, bem como foi planejado.

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Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do site Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!