Phineas Taylor Barnum carrega um fardo questionável sobre sua trajetória. Vivendo no século XIX, o visionário ganancioso enxergou uma forma de ficar rico as custas de enganar um público ávido por novidades. Assim, é atribuído a ele a responsabilidade pela criação do circo como conhecemos nos dias de hoje.

É essa história que O Rei do Show se propõe a contar, embora prefira optar pelo caminho mais fantasioso e menos controverso, por assim dizer. Hugh Jackman interpreta um Barnum com trauma de infância que luta pela ascensão e aceitação social, sobretudo para garantir uma vida melhor para suas filhas. Ótimo no papel, Jackman é a representação máxima do carisma em tela. Além de convencer fácil o público e os personagens da trama, o ator ainda demonstra versatilidade incrível e carrega a trama nas costas, bem como Barnum carregou seu circo, cantando e dançando de maneira contagiante. Todo e qualquer sucesso que possa ser alcançado pelo filme pode ser considerado mérito do eterno Wolverine.

Se tratando de um musical, o longa aposta em suas apresentações e entrega belas canções compostas pelos mesmos responsáveis de La La Land. Além de trazerem refrãos fortes, facilmente impregnáveis, a arte empregada nas cenas é digna de menção pela ótima composição e fotografia, que aposta em coreografias que enchem a tela, brincando com cores, luzes e enquadramentos ao decorrer da trama. Ainda que trivial e esperado para o gênero, a direção de Michael Gracey é competente, principalmente se considerarmos sua inexperiência como estreante no cinema, muito embora a falta de ousadia, como planos mais longos, faça falta nos números musicais.

O ponto mais fraco dessa amarração fica por conta do roteiro. O foco é, praticamente, apenas no protagonista, retratado como um gênio do entretenimento que não sofre grandes consequências por seus atos egoístas. Além disso, outros personagens acabam menosprezados e sem espaço para ganharem nomes ou falas. Charity Barnum (Michelle Williams), esposa de P. T., não tem tempo para aprofundar em sua complexidade. Aliás, esse é o grande problema do longa como um todo. É nítida a tentativa de abordar assuntos de grande relevância como preconceito e segregação racial, mas não há tempo para desenvolvimento dos assuntos, que acabam subutilizados, bem como os personagens de Zac Efron e Zendaya que são interessantes, mas limitados ao argumento do filme.

Fazendo valer o ingresso antecipadamente apenas pelo carisma de Hugh Jackman, O Rei do Show consegue atingir o objetivo de contar uma história de entretenimento com entretenimento e o que sobra ao fim da projeção são as memórias das apresentações e canções caprichadas.

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Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do site Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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