Embora sem grande estardalhaço e com uma bilheteria humilde para os padrões atuais, o primeiro Protetor acabou ganhando fama por sua trama simples e bem executada, trazendo o astro dramático, vencedor de 2 Oscars, Denzel Washington para um daqueles papéis de heróis imbatíveis do cinema, o que já foi surpreendente. Seguindo a linha das surpresas, o ator embarca na primeira sequência de sua carreira e revive o personagem sisudo e implacável que busca suas vinganças com base na moralidade da história.

Tendo em vista que o primeiro longa teve um roteiro bastante cuidadoso e não deixou pontas soltas, a história, agora, caminha para frente com olhos fixos no passado. É inegável que o caminho mais óbvio para isso era explorar um pouco daquilo que, justamente, não havia sido explorado. Como Robert McCall (Denzel) era um homem misterioso e de poucas palavras no antecessor, fica fácil adicionar elementos da sua vida passada na CIA para causar problemas no presente. Essa obviedade, porém, traz consigo um rápido sentimento de reconhecimento que torna o filme mais previsível e genérico, facilmente comparado com outros tantos do gênero.

O diretor Antoine Fuqua também retorna no comando da continuação, o que é ótimo para manter o estilo do primeiro. Como sempre, Fuqua tem bons lampejos de criatividade em seu modo de filmar as cenas, principalmente se considerarmos a inventividade de enquadramento em certos momentos. Apesar disso, o diretor acaba se tornando exemplo do que chamamos de escravo do próprio estilo. Ao tentar estar sempre no patamar de suas melhores tomadas, o exagero no uso de alguns ângulos diferenciados torna a experiência menos requintada como nas cenas de ação com vários cortes que confundem a melhor apreciação do que acontece em tela e a insistência em mostrar o carro pelo lado de fora, exaurindo uma qualidade técnica levando-a ao tedioso pensamento “mas de novo essa câmera na lateral do carro?!”. Ao menos, Fuqua tem sucesso em transmitir ao público a tensão de algumas cenas, conseguindo antecipar conflitos com sua fotografia e trilha que gritam perigo quando necessário.

Ainda bem que temos nada menos que Denzel Washington em cena. O ator tem um carisma indiscutível que, mesmo dando vida a um personagem de poucas palavras, consegue expressar sua benevolência e moral pelos poucos olhares e sorrisos que distribui. A atriz Melissa Leo também se sai bem quando mais exigida. Já Pedro Pascal, que é bom ator, infelizmente cai na armadilha do personagem desinteressante que, embora tenha lá seu arco com direito a reviravolta, não surpreende ninguém.

No geral, O Protetor 2 (The Equalizer 2, no original) segue um bom padrão de sequências e mantém a essência do original, ainda que não o supere. Como um filme de ação e violência gráfica, o longa traz como diferenciais o carisma do protagonista e as tentativas de lições morais para justificar suas atitudes.

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.