Análises

Publicado em 14th setembro, 2018 | by Giuseppe Turchetti

Comments

O Predador

Após 31 anos da estreia da franquia nos cinemas, mas “apenas” 8 anos depois do último filme solo do Predador, nasce o quarto longa da série que, nos moldes das grandes produções atuais, procura a alcunha de uma continuação com cara de recomeço, revivendo a marca para a nova geração.

Com grande conhecimento sobre o alienígena, visto que estava presente atuando no primeiro longa, em 1987, o diretor Shane Black assumiu a responsabilidade não só de comandar o reboot, mas também participou do roteiro. Logo, a assinatura de Black é facilmente notada do início ao fim, marcando a projeção com seus diálogos irônicos e subversivos, que aproveitam para tirar sarro da própria franquia e dar outro direcionamento que passa longe do suspense aspirante a terror que vimos no final dos anos 80. A tentativa de respirar novos ares é válida, mas não é suficiente para esconder os vários problemas de concepção.

Várias ideias foram concebidas para esse novo capítulo dos Predadores. E todas elas parecem ter permanecido no corte final. Black quis fazer um filme de sobrevivência para homenagear o original, bem como decidiu optar pelo formato de ação mais moderno, utilizando, ainda, a clássica união de um grupo disfuncional para protagonizar a trama. Para construir seus personagens, utilizou a cartilha de estereótipos ao pé da letra e não se preocupou e dar profundidade, tão pouco identidade, aos seus soldados. Ao ver que faltava uma presença feminina forte na história, adicionou a bióloga interpretada por Olivia Munn e, para completar, uma criança superdotada para resolver problemas convenientes, vivido pelo promissor Jacob Tremblay. Ao menos, tais clichês, por vezes, são sabiamente debochados ao ponto de deixar claro que não se levam nada a sério e funcionam como uma voz de autoconsciência do diretor. Uma pena que não sejam aproveitados para uma crítica mais elaborada sobre o assunto.

Ansioso em expandir a mitologia dos Predadores, o roteiro foca na superexposição para explicar vários detalhes dos caçadores extraterrestres nunca antes mencionados. Da mesma forma que se excede em querer tratar de vários assuntos ao mesmo tempo, tais como stress pós-traumático, síndrome de Tourette, tendências suicidas, entre outros, o excesso de informações jogadas deixa o filme com um aspecto de colcha de retalhos, sem se aprofundar em nada e apenas se aproveitando de certas características quando são necessárias para a trama. Aliás, esse oportunismo barato aliado às soluções ridiculamente não inteligentes do roteiro tornam o argumento do filme um texto bastante fraco.

Apesar dos pesares, o tom mais divertido do filme se sobressai e, de tanto tentar, arranca bons momentos de diversão, seja pelas piadas, seja pelos motivos errados. A química entre o grupo de anti-heróis é boa e a maioria das cenas de ação é satisfatória, cheias de violência e sangue, justificando a classificação etária de 18 anos. Uma pena que, em muitos momentos, a fotografia demasiada escura e a montagem confusa, cheia de cortes, atrapalhem a melhor apreciação da cena.

Finalmente, ainda temos predadores na história. O filme dá um plano de fundo maior para os seres do espaço, deixa dúvidas sem respostas e, embora prefira por conceitos meio duvidosos, deixa, também, gancho para posteridade da franquia.

Tags: , , , , , ,


Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



Voltar para o Topo ↑
  • Curta o Censura Geek!

  • Posts Recentes

    Millennium: A Garota na Teia de Aranha

    Millennium: A Garota na Teia de Aranha

    Eis que, finalmente, a tardia sequência de Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres vê a luz[...]
    Bohemian Rhapsody

    Bohemian Rhapsody

    Embora gosto seja um dos assuntos que não se discute, a humanidade aprendeu que, certas coisas, são [...]
    Halloween

    Halloween

    Em 1978 estreava o filme que ditaria a tendência das próximas duas décadas no gênero do terror. Sem [...]
    O Primeiro Homem

    O Primeiro Homem

    O último quarto de todo ano é sempre recheado de filmes que aspiram conquistar um lugar na memória d[...]
    Nasce Uma Estrela

    Nasce Uma Estrela

    Certas histórias são tão clássicas que se tornam queridinhas de Hollywood. Quando atingem esse statu[...]
  • Palavra NERD
    Pixelstree
  • Anúncios