Narcos | 1ª Temporada

Já há alguns anos, a Netflix vêm se dedicando a criação de conteúdo próprio e de qualidade ímpar – vide o sucesso de House of Cards, Orange is the New Black e Better Call Saul – trazendo equipes de renome para projetos ambiciosos a níveis das produções da gigante televisiva, HBO. A mais recente atração disponível no catálogo é Narcos, criada por Chris Brancato, cuja trama é baseada na ascensão do império do maior traficante de drogas da Colômbia, Pablo Escobar.

Além da vida de Pablo Escobar (Wagner Moura) e seu império, acompanhamos a história do agente norte-americano Steve Murphy (Boyd Holbrook) – que assume o papel de narrador – em sua vinda para a Colômbia com sua esposa Connie (Joanna Christie) para trabalhar com o Javier Peña (Pedro Pascal) em uma tentativa de combater o tráfico de cocaína para as terras do Tio Sam.

Como o próprio aviso antes de cada episódio adverte, algumas liberdades poéticas são tomadas para manter um certo nível de dramatização, mas ainda assim contar uma história verídica. Dito isso, Narcos retrata o surgimento do que veio a ser o Cartel de Medellín, uma das organizações criminais mais violentas para os cidadãos colombianos. Essa violência é escancarada sem pudores nos 10 episódios que compõem a primeira temporada, a medida que o tempo passa vemos, tanto os criminosos como os mocinhos, encorporarem a violência em seu cotidiano.

Cartel de Medellín

O brasileiro José Padilha (Tropa de Elite e Robocop) é responsável pela direção apenas dos dois primeiros episódios, mas acompanha o desenrolar da primeira temporada como produtor executivo. O molde de Padilha é bem evidente na narrativa que interliga questões socias, políticas e criminais para produzir um condensado de emoções ao espectador. A atuação de Moura como Escobar com um olhar melancólico, perdido no horizonte retrata muito bem o peso na consciência do homem  com boas intenções no início de sua jornada, mas que acabou tornando-se um criminoso frio capaz de tudo para se vingar da classe política que o rejeitou.

Wagner-olhar

A fotografia e as filmagens em planos não muito convencionais são outro acerto na construção de Narcos, como no primeiro episódio em que vemos a cena dos sicarios (assasinos contratados) de Pablo em uma boate festejando, enquanto os homens do Coronel Carrillo (Maurice Compte) ao fundo se preparam para matá-los a todo custo.

Apesar dos comentários a respeito do péssimo sotaque espanhol de Wagner Moura e da falta de tempo em cena para desenvolvimento de alguns personagens, Narcos entrega em sua primeira temporada um arco fechado com mais altos do que baixos, deixando engatilhado uma segunda temporada promete ainda mais momentos intensos com muita violência.

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