Análises

Publicado em 2nd junho, 2017 | by Giuseppe Turchetti

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Mulher-Maravilha

mulher-maravilha-posterOs olhos do mundo estão voltados diretamente para os estúdios Warner/DC Comics. Não só pelos filmes divisores de crítica que foram lançados anteriormente (Homem de Aço, 2013, Batman Vs Superman, 2016) e pelo total fracasso de Esquadrão Suicida (2016), mas também por conta de um assunto de máxima relevância nos dias de hoje: o feminismo, que seria impossível não ser tratado no primeiro filme de super-heroína da década. E é exatamente nesse cenário delicado, em que tudo parecia conspirar contra mais uma adaptação da DC Comics, que emerge o sentimento de alívio e dever cumprido. Temos a grata sensação de assistir um belo filme da Mulher-Maravilha.

Ainda que se possa dizer sem medo que todo o longa é um acerto homogêneo, é inegável o sopro de frescor que, principalmente, o primeiro ato de Mulher-Maravilha nos apresenta. Embora se baseie na mitologia grega para criar a sua própria mitologia, as soluções visuais e a forma de embasar a origem das amazonas na ilha de Themyscira são apresentadas de forma simples e funcional, utilizando-se de pouco tempo para conseguir solidificar o plano de fundo das guerreiras, já deixando pistas de um roteiro polido. Mesmo ao deixarmos a Ilha Paraíso de lado para encontrarmos o cinza das cidades e da guerra, o filme entrega a leveza e esperança em doses ideais. Méritos para a diretora Patty Jenkins, que declarou ter bebido da fonte dos primeiros filmes de Superman (1978) e Indiana Jones (1981).

E por falar em direção, o trabalho feito por Jenkins é incrível. Temos a câmera lenta e o visual pré-estabelecido do produtor Zack Snyder, claramente perceptíveis em tela, afinal ele é o grande idealizador de todo o universo de heróis da DC, mas a identidade da diretora se sobressai em todos os quesitos. A visão feminina é o ponto chave para que toda essa produção pudesse funcionar. A capacidade de transmitir as questões pertinentes em uma forma delicada de abordagem transforma o assunto que poderia se tornar uma bandeira de uma causa em algo natural e puro. A inocência de Diana Prince (Gal Gadot), crescida em uma sociedade sem distinção de gêneros, nos faz enxergar o mundo a partir de seus olhos, onde diferenças entre homens e mulheres não fazem o menor sentido. Não confunda, porém, inocência com fraqueza ou impotência. A Diana de Gadot é forte, destemida, nascida para ser heroína. Personalidade entregue de maneira honesta pela atriz israelense, não deixando dúvidas sobre sua escalação no papel.

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Outro fator que ajuda a carregar toda a história de forma fluída chama-se Chris Pine, responsável por dar vida a Steve Trevor, primeiro homem que Diana vê na vida. O ator demonstra, mais uma vez, perfeição para o tempo certo dos alívios cômicos. Aliás, o roteiro bem amarrado e contido é também eficiente e certeiro em criar momentos engraçados sem forçar a barra. E o mais importante: nas horas certas.

Conseguindo se distanciar dos problemas que os filmes anteriores do estúdio apresentam, Mulher-Maravilha não deixou de ser um típico filme da DC Comics, porém. Podemos dizer que o estúdio e a diretora atingiram uma equalização das características desse universo cinematográfico, mesmo que também funcione muito bem sozinho. É possível deixar margem para uma interpretação destoante em relação ao ato final, tomando certa liberdade em aumentar a escala da história em algo mais épico e grandioso, diferente da simplicidade até então, embora essa seja, realmente, uma forte assinatura dos heróis da DC, vistos como deuses.

Contando com cenas incríveis que culminam no heroísmo clássico e inspirador digno de formação de caráter das crianças, Mulher-Maravilha é uma aula de criação de história de origem para um personagem bem desenvolvido. Podemos não estar diante do filme perfeito ou o melhor de super-heróis, mas certamente esse é o filme certo e que precisávamos para agora.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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