Missão: Impossível – Efeito Fallout

Se o nome Tom Cruise não te faz pensar, imediatamente, na franquia “Missão: Impossível” você deveria dar uma segunda chance e (re)assistir, pelo menos, os três últimos capítulos dessa série, já contanto com “Efeito Fallout”. Em caso de empatia pelo gênero de ação, então, a franquia torna-se obrigatória no currículo cinematográfico de qualquer fã. E tudo isso está longe de ser exagero.

Depois do ótimo antecessor, “Nação Secreta”, Cruise retorna para interpretar, pela sexta vez, o personagem Ethan Hunt, mas, como novidade, essa é a primeira vez que um filme da série tem uma continuação direta da história anterior, mantendo, inclusive, o diretor Christopher McQuarrie. Também como não é costume, os personagens mais próximos de Ethan permanecem como sua equipe, situação que permite maior apelo emocional para quem já vem acompanhando a franquia há algum tempo, possibilitando desenvolvimento mais adequado ao elenco de apoio e criando laços com os espectadores que passam a se importar não só com o protagonista, dividindo bem o tempo para os excelentes coadjuvantes, Simon Pegg, Ving Rhames, Sean Harris e, a mais uma vez maravilhosa, Rebecca Ferguson.

Efeito Fallout traz de volta tudo que deu certo anteriormente e se aproveita da direção polida de McQuarrie para encher a tela com belas cenas de tirar o fôlego. Essa descrição pode parecer genérica, mas não se engane. É nítida a preocupação da produção em buscar a perfeição em cada detalhe, cada cena. Em várias entrevistas recentes, Tom Cruise afirmou ter gravado algumas cenas centenas de vezes para extrair a melhor tomada em cada uma delas e isso é perceptível ao mostrar, com clareza, todas a ação e movimentação na tela com ângulos inventivos e filmagem limpa, nunca atrapalhando o público de entender o que se passa. A fotografia cumpre bem seu papel com ótima técnica de prender a atenção dos olhos para absolutamente qualquer canto da projeção, aproveitando objetos em foco ou mesmo ações que acontecem ao fundo, tudo preenchido por uma trilha cativante que se beneficia ao máximo do tema clássico de Missão: Impossível, embora modernizado, emprestando alguns acordes para chamar a atenção em vários momentos cruciais.

Agora, quando o assunto é mostrar a que veio, essa nova aventura de Ethan Hunt não brinca. A começar pelo roteiro que ainda que seja sempre uma desculpa, um plano de fundo para toda a ação acontecer, acaba ganhando destaque por sua coerência e consistência elevando o grau de complexidade da trama, sem criar, porém, complicações exageradas, não exigindo tanto do público e permitindo o foco no que ainda importa mais: a ação desenfreada. Além de meticulosamente planejada, a ação é responsável por ditar o ritmo do longa e manter o espectador com os olhos grudados na tela, preocupado e torcendo. Grande mérito se pensarmos que, no fim das contas, já sabemos que tudo sempre dá certo para o herói e, ainda assim, somos capazes de sentir a urgência e o perigo. Principalmente sabendo que Tom Cruise realizou 100% de suas cenas sem dublê. Menção honrosa para Henry Cavill, quebrando tudo e passando peso em cada decisão, cada movimento do personagem que interpreta.

Obviamente que se mantêm, também, alguns casos onde a nossa suspensão de descrença é desafiada com situações absurdas. Entretanto, se não fossem elas, talvez o filme nem tivesse o título que tem e, da forma como tem evoluído e tem sido bem feito, muito provavelmente também não teria a graça ou proporcionaria a diversão que atingimos aqui.

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Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do site Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!