Meu Ex é um Espião

Antes de atingir terras brasileiras, o filme que aqui ganhou o título de Meu Ex é um Espião tem, em sua forma natural, o nome de The Spy Who Dumped Me, deixando claro já no título seu tom de paródia em alusão ao clássico The Spy Who Loved Me. Deixando essa impressão estampada e trazendo uma aura de filme pastelão, logo no início a produção já se esforça para subverter essa ideia.

Mila Kunis andou meio sumida dos holofotes nos últimos anos, principalmente depois de estrelar a bomba chamada O Destino de Júpiter. Com a oportunidade de retornar em sua área de maior domínio, a atriz parece agarrar a oportunidade e se esforça nessa empreitada cômica. Sua personagem retrata uma mulher mediana que gostaria de ter dado mais sentido a sua vida até se ver ligada a uma trama de espionagem por conta de seu ex-namorado. As situações mundanas e reações espontâneas são o forte da sua interpretação. O brilho, porém, é mais forte na química entre Kunis e Kate McKinnon, que, interpretando a folgada e estapafúrdia Morgan, entrega uma personagem engraçada mais por sua essência e fisicalidade que pelas próprias piadinhas que o roteiro tenta escrever, ainda que muitas sejam funcionais.

Por falar em roteiro, nesse caso, ele acaba se tornando um dos fatores menos importantes na trama, já que é só mais um típico caso de apresentar-se apenas como uma desculpa para que as situações absurdas aconteçam. E isso não é, necessariamente, um problema. Dirigido por Susanna Fogel, o filme consegue se aproveitar dos clichês de espionagem, perseguições e tiroteios para criar os já citados momentos absurdos em tela com uma boa fluidez, de forma espirituosa e leve, ainda que aposte em boa dose de violência. Aliás, aí entra a maior surpresa para uma obra desse tipo. Meu Ex é um Espião foge por completo do estereótipo de comédias românticas, coloca em foco a dinâmica entre as amigas protagonistas, trata com elegância e bom humor a questão do feminismo e, inclusive, brinca com isso. Fica clara, também, desde a primeira cena do longa, a preocupação com as cenas de ação que têm um trato extremamente incomum no gênero da comédia, flertando com outros filmes que, recentemente, transcenderam a barreira entre comédia e ação, como por exemplo Kick-Ass e Kingsman.

Outro destaque vai para a direção acima da média. Além de utilizar ângulos inusitados e conseguir algumas cenas bastante interessantes, Fogel ainda tem toda a preocupação com a fotografia expressiva que utiliza cores diferentes para separar presente e flashbacks, bem como dar mais tom de fantasia nos instantes mais descolados da realidade das protagonistas.

Embora o longa funcione mais como ação que como comédia por pecar em piadas que nem sempre fazem rir, ainda pode ser considerado uma boa mescla entre os gêneros por trazer leveza e diversão do início ao fim, tornando sua exibição uma experiência agradável em que as duas horas de projeção passam quase desapercebidas.

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Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do site Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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