Maze Runner: A Cura Mortal

Surpreendentemente chega ao fim uma série de filmes adolescentes que não optou por expandir sua vida útil particionando sua história em dois capítulos finais. Seguindo contra a maré, porém de forma honesta e respeitosa, Maze Runner mantém-se como trilogia e entrega seu terceiro o último longa finalizando todo o arco iniciado em 2014.

Tendo um promissor início de carreira, a franquia mostrou frescor ao trazer situações diferenciadas no primeiro filme, despertando curiosidade e oferecendo certos mistérios. Infelizmente, a bola levantada pelo bom começo não foi bem aproveitada com o desenrolar da história e, já no segundo filme, a série se mostrou decadente de qualidade de roteiro, mudando os rumos da trama. Com o lançamento da conclusão da saga, fica claro que o terceiro capítulo acabou seguindo muito mais as características da sequência anterior. Uma pena.

Maze Runner: A Cura Mortal se destaca pelas cenas de ação bem executadas. O diretor Wes Ball, ex-diretor de efeito visuais, mostra competência na realização de tomadas complexas que envolvam explosões e destruição, bem como já visto no longa passado. Dessa vez tudo ganha uma escala maior em relação a ação e urgência, tiros e perseguições. É nítido um cuidado estético não só nos efeitos, mas em cenários e iluminação. Os atores também se esforçam na atuação e, embora seja um personagem chato, Thomas (Dylan O’Brien) tem bons momentos, assim como o resto do elenco, mesmo que não sejam ajudados pelos diálogos.

E por falar em diálogos, esse é um fator limitante da trama que, da mesma forma que todo o texto da narrativa, não ajuda na imersão da história e chama a atenção do espectador negativamente. Várias conversas são meramente expositivas, usadas como recurso de encaminhamento narrativo, explicação barata ou simplesmente inúteis. Aliás, as soluções encontradas pelo roteiro mal desenvolvido são tão pífias que tiram o mérito de vários feitos dos próprios protagonistas e inutilizam passagens que a série utilizou anteriormente. Sem contar na quebra de regras estabelecidas, exemplificando a falta de coesão da franquia.

Como conclusão, A Cura Mortal não se preocupa em dar suporte aos passageiros de primeira viagem, exigindo conhecimento dos predecessores para entendimento do contexto geral, mas cumpre seu papel de encerrar os arcos de seus personagens de forma satisfatória. É válido como uma ação descompromissada sem levantar grandes questionamentos ousados da maneira que parecia prometer no primeiro filme.

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Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do site Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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