Análises

Publicado em 15th novembro, 2017 | by Giuseppe Turchetti

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Liga da Justiça

Com as duras críticas recebidas por Homem de Aço (2013) e Batman vs Superman (2016) devido ao tom sombrio das obras e com o posterior acerto em Mulher Maravilha (2017), era clara a tentativa de correção de rota que a Warner/DC vinham tentando até aqui. Então, antes de mais nada, é importante começar relembrando as missões que Liga da Justiça carrega como fardo antes mesmo de sua produção. Além de um rearranjo no tom, o longa traz heróis já anteriormente estabelecidos (Batman e Mulher Maravilha) para recrutarem outros três ainda não devidamente apresentados, Flash, Aquaman e Ciborgue. A reunião tem como objetivo salvar o planeta das mãos do vilão Lobo da Estepe, também desconhecido do público. Além disso, ressuscitar o Superman, criar uma boa dinâmica de equipe e desenvolver o universo cinematográfico são outros pontos em pauta para o filme. Trabalho bem ingrato para uma produção de duas horas.

Com todo esse emaranhado de possibilidades e a lembrança ainda viva de um péssimo Esquadrão Suicida (2016), Liga da Justiça tem um início com bom ritmo, que serve para mostrar a que veio. Sem perder tempo, o longa aposta em uma pegada muito parecida com filmes da década de 90, com apresentações rápidas e despreocupadas, com cenas que alternam entre as frentes do roteiro que vão se juntar em breve. Fica nítida a opção do estúdio em acelerar o processo para evitar se perder em explicações exageradas e camadas profundas de personagens. Embora essa seja uma escolha acertada em prol de um melhor desenrolar da história, a falta de profundidade pode incomodar em alguns momentos, principalmente no carisma, ou falta, do vilão raso que só serve como ligação entre pontos do roteiro. Infelizmente, sacrifícios são necessários em busca de coesão e simplicidade e o Lobo da Estepe foi o maior prejudicado, não tendo muito espaço nem para demonstrar seu real poder ameaçador que necessitaria da reunião dos maiores heróis do universo.

Ainda que tenha problemas estruturais facilmente perceptíveis, seja pela troca de diretor, devido a saída de Zack Snyder por motivos pessoais e entrada de Joss Whedon, seja pela exigência dos produtores, o filme consegue, quase por um milagre, se sobressair pelas qualidades. A química entre os heróis é válida a cada cena, quesito de suma importância quando falamos de uma história de reunião de equipe. O Batman de Ben Affleck é menos sisudo e um pouco mais conformado, leve. Mas sem perder as belíssimas cenas de ação inspiradas claramente por seus jogos mais recentes. Gal Gadot e sua Mulher Maravilha continuam ótimas, sendo a personagem mais carismática do filme. Ezra Miller entrega um Flash infantil e inseguro, que ainda não consegue mostrar sua real capacidade, ficando reservado, praticamente, como alívio cômico que funciona quase sempre, com direito a algumas cenas geniais. Já Ciborgue (Ray Fisher) e Aquaman (Jason Momoa) surpreendem, ainda que o primeiro tenha mais espaço e importância real na conclusão dos fatos, enquanto Aquaman fica devendo um pouco ao se tratar de desenvolvimento.

O ponto alto da trama são as cenas de interação dos heróis, seja em batalha ou não. Alguns diálogos são meramente expositivos, mas dentro da simplicidade adotada para contar a história, tudo se mostra como um acerto que impulsiona o enredo para frente. As batalhas são bem coreografadas e conseguem dar peso aos golpes e forma aos poderes de um jeito já conhecido nos filmes da DC Comics. Uma pena não ter sobrado tempo ou espaço para algo realmente épico e memorável, como algumas cenas facilmente lembradas de Homem de Aço ou BvS. Outro destaque, importantíssimo, é Superman. Pela primeira vez, Henry Cavill entrega aquele Superman que todos querem ver no cinema. Símbolo de esperança, poder e liderança. Referências e easter eggs estão espalhados pelo filme, como um deleite a mais para os fãs. Fazendo o uso de boa trilha sonora, Danny Elfman emprestou as canções clássicas dos personagens, porém houve certa timidez em assumir as músicas de forma mais tradicional, dando uma roupagem nova e as tornando quase imperceptíveis.

Voltando as missões que Liga da Justiça tinha pela frente, podemos dizer que o filme obteve sucesso em quase todas. Estamos longe de um filme tecnicamente perfeito e, é triste admitir que faltou um desfecho merecedor de explodir de vez as desconfianças do público, afinal, como toda a trama, o final também sofre com uma conclusão rápida e simples. Acima disso, a sensação que se sobressai ao assistir ao filme é a de alívio. Temos um ótimo exemplo de que a DC/Warner é plenamente capaz de nos entregar algo leve, divertido na medida certa, sem exageros narrativos e com uma ótima representação dos personagens que marcaram a infância de tanta gente. Assim como o maior herói de todos, a esperança renasce soberana.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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