Kong: A Ilha da Caveira

kong-posterEm pleno momento histórico onde filmes de super-heróis dominam o mercado mundial, quem iria imaginar que monstros gigantes voltariam a ser tendência no cinema? Após o renascimento de Godzilla (veja crítica), em 2014, o gorila mais famoso da sétima arte ganha uma chance de voltar aos holofotes e conquistar seu espaço nesse universo cinematográfico compartilhado.

Já chamado, outrora, de King Kong, o símio colossal ainda não alcançou seu lugar na realeza nessa nova aventura. Passando-se logo após a guerra do Vietnã, o filme conduz seus personagens e os espectadores para a primeira expedição até a Ilha da Caveira, lar de criaturas nunca antes avistadas. Com uma justificativa pautada pela corrida progressista da crescente guerra fria, o roteiro aposta, acertadamente, na simplicidade. Os americanos precisam enviar suas forças para desbravar o desconhecido antes de seus inimigos, os russos. Com isso, cientistas, estudiosos e soldados são encaminhados para a missão de reconhecimento, formando a equipe principal do longa.

Com um elenco de peso, o filme tem bom desenvolvimento dos militares comandados pelo ranzinza coronel Packard, que apesar de ser só mais um personagem durão e controverso que Samuel L. Jackson parece interpretar no automático, ainda apresenta boa profundidade, bem como seus comandados, funcionando como uma família e criando empatia da tropa com o público. John C. Reilly rouba a cena sempre que aparece, também servindo para dois recursos de roteiro: alívio cômico e esclarecedor de problemáticas. Na contramão estão Tom Hiddleston e Brie Larson que, infelizmente, foram prejudicados pelo início corrido da história que não os permite desenvolver seus arcos de personagem, tornando-os rasos e esquecíveis, sem grande relevância, que parecem apenas cumprir a cota de papéis que atraem mais público e desempenham função limitada dentro da trama.

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Toda a forma como Kong: A Ilha da Caveira foi filmado é uma clara homenagem aos filmes clássicos de guerra, tendo como Apocalypse Now (1979) o maior exemplo. Apropriando-se desse estilo, a fotografia é surpreendentemente bela, enchendo os olhos com cores vibrantes, enquadramentos interessantes e recursos de iluminação criativos. O visual corajoso e deslumbrante ajuda a dar o tom do longa, que se assume como uma aventura fantástica que tem por única pretensão a diversão. A direção de Jordan Vogt-Roberts é competente principalmente em dar vida ao ambiente, criar a atmosfera, tensão e estranheza, apresentar cenas fantásticas de ação, tanto pela beleza quanto pela execução, ainda que não sejam muito frequentes. Vogt-Roberts consegue, ainda, juntamente com bons efeitos visuais, produzir um Kong protetor e ameaçador, com marcas na pele que ajudam a contar sua história de fundo e expressões faciais convincentes.

Destoando completamente daquele já citado Godzilla de 2014, muito mais sério e dramático, Kong: Skull Island (no original), suas piadinhas e seu roteiro descompromissado apontam para uma direção mais promissora em termos de entretenimento. Resta agora tentar imaginar como será esse encontro de monstros gigantes no cinema que já foi prometido para um futuro próximo.

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