Kingman – O Círculo Dourado

Famoso por não participar de continuações, nem o diretor Matthew Vaughn resistiu ao charme e a elegância dos Kingsman, que com o filme de 2014 chegou de mansinho e conquistou uma legião de fãs. Vaughn não só concordou com a sequência como voltou inspirado e decidido a expandir o escopo da, agora, franquia.

O Círculo Dourado já começa mostrando a que veio. A primeira cena entrega uma ação desenfreada com direito a perseguição a nível de Velozes e Furiosos. Logo de início, os planos, os ângulos e enquadramentos escolhidos pelo diretor demonstram a identidade presente na obra. Assim como em seu antecessor, é tudo muito estilizado e visceral, das trilhas que acompanham a ação até a violência, sendo bastante explícita em vários momentos.

Partindo do princípio de destruir para reconstruir, o longa acaba com, praticamente, toda a agência secreta que conhecemos por Kingsman, forçando que os poucos agentes restantes busquem ajuda com os primos americanos, nomeados Statesman. De tal forma, a piada pronta é a comparação de estilo entre britânicos e americanos, satirizando o estilo de vida dos “primos”, que seguem um modelo de negócio baseado no mercado de bebidas alcoólicas. Embora amplie, e muito, a mitologia do universo cinematográfico do filme, a receita do sucesso é mantida. Um bom ritmo para a história, permeada por cenas de ação um tanto menores, porém cheias de real esforço visual, e outras cenas megalomaníacas mais pontuais. Tudo isso sempre regado de um humor por vezes ácido e por outras escrachado, abraçando o ridículo e cruzando a tênue linha do absurdo, reforçando tais marcas deixadas pelo filme anterior.

Seguindo, também, nessa fórmula de pegar os elementos consagrados e, apenas, ampliar, as piadas sexistas e de possível mal gosto acompanham a tendência e reaparecem nessa continuação. Em uma cena que os heróis precisam inserir um localizador em uma personagem, por exemplo, a solução machista e extremamente forçada pode causar certo desconforto em parte do público. Outras adições, entretanto, divertem o público, como a participação especial do cantor Elton John.

Mais uma vez na pele de Eggsy, Taron Egerton se mostra confortável no personagem e muito carismático em todos os momentos. O retorno de Colin Firth eleva o nível do elenco com sua atuação refinada, mas o destaque acaba indo aos novos rostos que ajudam a criar todo o cenário do filme. Julianne Moore é a típica psicopata bilionária que não mede esforços para cumprir com suas motivações, bem como Pedro Pascal e Channing Tatum são personificações do cidadão americano. Sem mencionar o sempre incrível Jeff Bridges, que dispensa comentários em seu maior estilo cowboy tradicional.

Por mais que seja quase impossível superar Kingsman: Serviço Secreto (2014) no quesito surpresa, O Círculo Dourado se esforça em, pelo menos, manter a qualidade do seu antecessor, alcançando sucesso em divertir o público por toda a projeção, lembrando sempre de que se trata de um universo completamente fantasioso que mistura ficção, espionagem, ação, aventura e muita, mas muita bizarrice.

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Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do site Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!