Análises

Publicado em 15th junho, 2018 | by Giuseppe Turchetti

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Jurassic World: Reino Ameaçado

A franquia que encantou toda uma geração voltou de vez. Não só recomeçou a série em 2015 arrecadando uma bilheteria monstruosa, mas volta agora com força total para dar continuidade aos eventos catastróficos do Parque dos Dinossauros. Se a aposta anterior foi investir na nostalgia, dessa vez… parece que não tiveram outra ideia melhor.

A nova aventura resolve trazer, novamente, elementos do passado para se apoiar em sua escalada global. O ator Jeff Goldblum é o maior exemplo disso, com uma mera participação apenas com apelo saudoso. No mais, a fórmula continua intacta, promovendo um contexto estritamente familiar, não apenas dentro da franquia, em um escopo maior, porém, quando percebemos que as coisas não fogem do trivial.

Com uma boa sequência inicial, o longa revela uma das suas maiores virtudes nos quesitos técnicos. A direção impressiona com um tom levemente assustador que abusa de uma fotografia cheia de contrastes e contraluz. Utilizando-se de luzes naturais e elementos presentes em cena para revelar aos poucos os dinossauros, a cena resume bem o que veremos no restante da projeção. Mas exatamente nesse ponto começam os problemas. O uso dessa fotografia diferenciada aliada aos elementos de câmera escolhidos pelo diretor J. A. Bayona se repete descaradamente até o fim, revelando uma talvez falta de criatividade na maneira de mostrar a tensão. Os efeitos visuais, como de costume na franquia, são de primeiro escalão, criando os animais de forma crível e envolvente, com pouquíssimos momentos em que alguma animação soa estranha aos olhos. Já no quesito sonoro, os efeitos e a mixagem de som são, sem dúvidas, os componentes mais competentes, se destacando ao longo de todo o filme adicionando envolvimento e imersão na ação.

E o que faz de Reino Ameaçado especial perante seus predecessores? Absolutamente nada. Infelizmente o roteiro impede que o filme conquiste qualquer apatia do público. Na verdade, é o contrário. Insistindo em facilitar a resolução dos problemas, dando aos personagens decisões duvidosas e abusando de diálogos forçados, a narrativa acaba se afundando em momentos tediosos quando não ridículos. Sempre que somos apresentados a uma problemática, o texto insiste em, segundos seguintes, deixar clara a resolução de forma simplificada e nada inspirada, com elementos que surgem do nada, o que chamamos, na linguagem do cinema, de Deus Ex-Machina. Os protagonistas Chris Pratt e Bryce Dallas Howard têm química e são carismáticos, ainda assim não são ajudados por suas escolhas e falas que tiram o peso de suas ações.

Embora tenha um enredo completo dentro das duas horas de duração, é eminente que tudo não passa de uma preparação para algo ainda maior, que deve culminar em mais uma continuação para fechar o que parece ser uma trilogia. Sendo assim, o único reino ameaçado que vemos aqui é o próprio reino da franquia Jurassic Park que dá fortes sinais de esgotamento e, dessa vez, deixa um gosto amargo de ser apenas uma grande preparação para o vindouro desfecho, como se não passasse de um trailer em longa metragem.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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