Análises

Publicado em 29th dezembro, 2017 | by Giuseppe Turchetti

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Jumanji: Bem-Vindo à Selva

Depois de mexer com o imaginário do público com o primeiro filme, em 1995, Jumanji não só se tornou um clássico instantâneo da juventude como ganhou até desenho animado baseado na versão cinematográfica. Imortalizado pelo protagonismo de Robin Williams, o longa é o tipo de obra difícil de se retomar pelo tamanho saudosismo que a acompanha. Uma nova versão poderia sofrer com baixa aceitação dos mais puristas.

Assumindo a responsabilidade, o diretor Jake Kasdan e seus roteiristas decidem não só por reviver o jogo de tabuleiros mais famoso dos anos 90, mas, corajosamente, trazem uma versão atualizada da história para apanhar também a nova fatia do público que ainda não havia sido apresentada a Jumanji. Isso inclui a transformação do tabuleiro em jogo de vídeo game e a mudança de algumas regras da trama. Pode parecer uma escolha duvidosa de início, mas a trama utiliza bem os recursos da nova mídia para explorar características que contribuem para a história como um todo.

Embora seja extremamente simples, o roteiro é inteligente em apostar em elementos que funcionam. No melhor estilo Clube dos Cinco, ou trazendo para a mais recente adaptação de Power Rangers, Jumanji: Bem-Vindo à Selva dedica seu primeiro ato a apresentação e desenvolvimento dos personagens principais, que se encontram na detenção escolar por diferentes motivos. Os estereótipos são aqueles de sempre. O nerd, a garota antissocial, o jogador de futebol e a patricinha popular. O tal grupo disfuncional que, ao ser sugado para dentro do vídeo game, assume os corpos dos avatares escolhidos no jogo, mudando completamente o biótipo de cada um. O destaque é, sem dúvidas para a patricinha Bethany, que assume o corpo de Jack Black inspiradíssimo em sua atuação cômica e exagerada, perfeitamente condizente com o tom de comédia do filme. Aliás, o maior acerto dessa continuação com cara de reboot está no tom. Contrariando todas as chances de cair na galhofa boba que causa vergonha alheia, o longa se mostra eficiente em causar um humor natural pela química entre os atores. Além de Black, Dwayne Johnson, Kevin Hart e Karen Gillan encaixam perfeitamente em seus papéis e enquanto descobrem as regras de jogo, contam para o público como o filme realmente funciona.

Sem se levar a sério, com ótimas piadas, humor físico e até críticas a imagem de personagens femininos em jogos, o saldo para Jumanji é bem positivo. Destaque ao modo criativo e original que a trama opta por considerar as peculiaridades de um vídeo game, trazendo aspectos como NPCs (do inglês “personagens não jogáveis”) e cutscenes (cenas que param o jogo para explicar a história). Nem tudo é acerto, porém. Ainda que justificado e compreensível dentro da proposta, o vilão é totalmente insignificante e sem desenvolvimento. Na prática, é inútil e não faria a menor falta. Aliás, a necessidade da inserção de um vilão acaba por atrapalhar o enredo que poderia focar mais nas adversidades da própria selva com perigos e curiosidades muito mais interessantes a oferecer.

Homenageando o filme original, a continuação de Jumanji não se apoia na base consolidada, mas se desprende do anterior e alça voos com suas próprias asas e estilo, figurando como uma grande e surpreendente comédia despretensiosa e divertida.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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