Análises

Publicado em 6th julho, 2018 | by Giuseppe Turchetti

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Homem-Formiga e a Vespa

O que houve com o Homem-Formiga após os eventos que acompanhamos em Guerra Civil? E por que ele não estava presente em Guerra Infinita? Por onde andaria o herói durante todo esse complexo período do universo cinematográfico da Marvel? Todas essas questões, pertinentes, inclusive, são facilmente respondidas nesse novo episódio da grande série de filmes da Casa das Ideias.

Ao dizer episódio de uma grande série já me refiro, exatamente, ao que esse filme se propõe. A produção nem se esforça em querer esconder o tom episódico que segue o intuito de preencher lacunas enquanto “problemas maiores” não são resolvidos. Pouquíssimos meses depois da devastação ocorrida no filme anterior, o Homem-Formiga e sua nova parceira, a Vespa, trazem um tom leve e divertido, para acalmar os fãs órfãos da Marvel e amenizar o tempo de espera até a conclusão no próximo Vingadores.

Utilizando-se de um escopo totalmente particular, a nova aventura de Scott Lang (Paul Rudd) é aprender a lidar com sua vida monótona preso em sua casa devido a prisão domiciliar. Enquanto tenta não criar problemas para si próprio, correm por fora Hank Pym (Michael Douglas) e sua filha Hope Van Dyne (Evangeline Lilly) com outra trama familiar que não envolve nenhum ato heroico na essência, como salvar o mundo ou pessoas alheias, mas apenas encontrar a esposa de Pym, perdida há muito tempo no reino quântico. Tendo essa escala reduzida para trabalhar, o diretor Peyton Reed não precisa se preocupar em adicionar grandiosidades ou mesclar sua história, por agora, com o resto dos filmes do estúdio. O caminho fica livre para realizar algo que ele mesmo denominou como uma comédia romântica. Não que essa determinação de gênero esteja correta, pois no quesito romance o diretor ficou devendo um pouco. Apesar da química entre Scott e Hope ser ótima, até mesmo dando mais destaque a Vespa, quase como uma passagem do bastão do protagonismo, ainda assim o que vemos é uma comédia de ação, com lutas, perseguições, superpoderes e, obviamente, situações engraçadas, personagens divertidíssimos e muitas piadinhas do melhor estilo Marvel de ser.

Naquilo que se propõe, Homem-Formiga e a Vespa funciona de forma redondinha, sem arestas mal aparadas ou grandes falhas aparentes. O roteiro é simples e, de tão simples, desafia, às vezes, a suspensão de descrença que temos de depositar sobre ele com situações que geram questionamentos acerca do funcionamento, realmente, a tecnologia de encolhimento. Apesar disso, as regras que estipula para sua trama funcionam e suas propostas levam bem a história de forma natural e concisa, se valendo do mérito de prender a atenção do público enquanto diverte em todas as cenas. Sem contar, ainda, com os coadjuvantes de luxo. Tirando a vilã Fantasma (Hannah John-Kamen), que tem visual e efeitos muito legais, como todo o filme, pode-se dizer, tem uma história desinteressante e serve apenas como obstáculo para os mocinhos. Já Luis (Michael Peña) rouba todas as cenas em que aparece, é hilário e, sem dúvidas, se posiciona entre os melhores coadjuvantes do Universo Marvel.

Despreocupado e despretensioso, Homem-Formiga e a Vespa brinca com seu próprio senso do ridículo, tira sarro e conta uma história crível a partir do roteiro minimalista, deixando para lembrar que faz parte de algo maior apenas nos segundos finais da trama. Uma ótima opção de diversão para o período de férias em que foi lançado.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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