Análises

Publicado em 7th julho, 2017 | by Giuseppe Turchetti

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Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Muitas coisas interessantes precisam ser abordadas quando o assunto é o mais novo filme do Homem-Aranha. Desde o fato de que este é o terceiro início de franquia do teioso em 15 anos, tendo as outras iniciadas em 2002 e 2012, até mesmo ao título escolhido para esse reboot. Apesar de ser retirado de uma história dos quadrinhos que realmente tem esse nome, De Volta ao Lar representa muito mais que isso. É uma enorme metáfora que serve como demonstração real que o bom filho a casa torna. Com os direitos cinematográficos vendidos à Sony, essa é a primeira vez que podemos ver o herói pertencendo as diretrizes daqueles que o geraram: a grande Marvel e seu universo expandido.

Esqueça tudo o que foi visto anteriormente sobre o personagem quando vivido por outros atores. Dessa vez, a abordagem é totalmente diferente e somos apresentados a um herói que, na verdade, já sabemos tudo sobre ele. E esse é o diferencial maior. Nada de história de origem, de um menino comum que ganha poderes. O que temos, desde o início, é o herói já em formação, saído direto das cenas vistas em Capitão América: Guerra Civil. Com esse ponto de partida avançado, o roteiro é capaz de explorar muito bem aquilo que há de melhor no Homem-Aranha: Peter Parker, o nerd debaixo da máscara.

Tom Holland parece ter nascido para ser o amigão da vizinhança. Com a atuação extremamente confortável, o ator dá a identidade jovial ao herói que os fãs queriam ver há tempos. O personagem tem apenas 15 anos, responsabilidades do colégio, vida social complicada e dilemas adolescentes que precisa conciliar entre uma balançada de teia e outra pela cidade de Nova York. Toda essa dificuldade, aliada da euforia e o sonho de se tornar um Vingador é passada com total naturalidade pelo ator, mostrando também sua habilidade para a comédia, ao passo que é responsável por tirar risadas do público o tempo todo com sua inocência e despreparo, típicos de um garoto da sua idade.

E é para ajudar em seu amadurecimento que entra Tony Stark (Robert Downey Jr.) e sua excentricidade, tentando ensinar lições para Peter sempre usar seus grandes poderes com grandes responsabilidades. Diferente do especulado pelas artes de divulgação do longa, o Homem de Ferro não rouba a cena, mostrando equilíbrio perfeito do roteiro que sabe dosar o tempo de tela dos personagens. Roteiro esse que não só é responsável por contar uma história excelente, como também consegue a proeza de tirar o vilão do filme da margem de conforto dos vilões pouco memoráveis sob o selo Marvel Studios. O Abutre, pouco querido e expressivo nas HQs, é interpretado com maestria por Michael Keaton, outra metáfora interessante se lembrarmos que o ator, há pouco tempo, deu vida ao Birdman nos cinemas. Demonstrando motivação simples e completamente aceitável, o vilão não é a antítese direta do herói, como visto na maior parte dos filmes da Casa das Ideias, e se sobressai com ótimos diálogos e cenas de intimidação com sua parafernália alienígena. Sua origem, diferente das histórias originais, se adapta perfeitamente ao universo que a Marvel construiu ao longo de tantos filmes.

A direção de Jon Watts não tem marcas profundas de identidades autorais, mas é competente em botar ordem na casa e entregar um filme redondo, com crescente desenvolvimento e fluidez. O fato de termos uma aventura mais contida, sem grandes ameaças mundiais e se passando em bairros menores da cidade, contribui até mesmo para os efeitos visuais, que embora sejam impecáveis, não carecem de inovações em sua área. Se necessário fosse apontar apenas um defeito, uma grande coincidência empregada pelo roteiro, que revela um ponto de surpresa no longa, seria a escolhida. Ainda assim, tal momento é tão bem construído que consegue surpreender e não cair no limbo dos clichês.

A inserção do Homem-Aranha no mesmo universo dos Vingadores trouxe não só novos ares que o personagem necessitava depois de tantas franquias diferentes em tão pouco tempo, como também trouxe para a própria Marvel uma adição de peso ao seu time de heróis. Nesse acordo com a Sony, que ainda é a detentora dos direitos do teioso, não só os dois estúdios saíram ganhando (principalmente depois dos péssimos filmes de “O Espetacular Homem-Aranha”), mas o público, certamente, foi presenteado com uma das melhores versões já criadas do amigo da vizinhança.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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