Han Solo: Uma História Star Wars

Mantendo o fôlego de lançar um filme por ano, a franquia Star Wars chega ao que talvez seja a mais polêmica de suas decisões e resolve contar a história que quase ninguém queria saber: a juventude de um dos personagens mais marcantes da série, Han Solo, outrora vivido por Harrison Ford.

Em mais um spin-off, ou seja, história derivada de um universo maior, a Lucasfilm agrupa todas aquelas passagens mal contadas que Solo usava para se gabar nos filmes originais e explica, de forma didática, como tudo aconteceu. Algumas referências e expansões do universo são muito bem-vindas e realmente bem apresentadas, como toda a mitologia criada sobre a nave Millenium Falcon. Já outras, esmiuçadas demasiadamente e totalmente sem relevância, como a origem do nome do protagonista.

Apesar das desconfianças que assombraram toda a produção do longa, logo é possível notar vários méritos e acertos quando a projeção se inicia. A narrativa é inteligente e joga o espectador meio a já confusa vida de Han Solo que estabelece suas características e anseios de forma rápida e precisa, além de ter um ótimo ritmo inicial. A maioria dos fan services é satisfatório e conquista sorrisos dos amantes mais tenazes. As coisas começam, porém, a desandar quando o roteiro se baseia apenas nesses detalhes para contar uma história. A aparente falta de assunto real para embasar e justificar o argumento do filme acaba evidenciada em uma barriga enorme que se forma no segundo ato, arrastando a trama bem lentamente. Sem contar, ainda, situações que, descaradamente, optam por saídas sem inspiração e nada criativas para solucionar casos de maneira rápida e inexpressiva. Outro fantasma que rodeava a produção era sobre o escolhido para dar vida ao jovem Han. O ator Alden Ehrenreich, cujo qual tivera várias especulações acerca de sua capacidade limitada de atuação, desmente os rumores e se sai bem, copiando, inclusive, expressões muito usadas por Harrison Ford. Outro destaque merecido é de Woody Harrelson, que dá ótimas nuances a seu personagem, sendo um dos poucos realmente interessantes do filme. Mais um que se sai bem é Paul Bettany. Já Emilia Clarke quase passa desapercebida, embora tenha sua importância para o desenvolvimento da trama.

O diretor Ron Howard não imprime grande identidade na aventura, mas, em contrapartida, opta por uma fotografia mais escura, brincando com a iluminação de forma diferenciada de outros filmes da franquia, muito embora acabe atrapalhando um maior aproveitamento de algumas cenas. Já no quesito ação, nada inspirado surpreende, não ultrapassando a barreira do “apenas” competente.

No fim das contas, depois de tanta descrença e um lançamento um tanto quanto morno, Han Solo: Uma História Star Wars se prova melhor que o esperado, mesmo que essa não seja a melhor descrição esperada para um filme desse porte. A expansão do universo Star Wars é sempre interessante, cheia de elementos novos e, ainda, uma participação especial bem conhecida do público deve atiçar a curiosidade sobre o futuro da série. Tendo em mente a pretensão de ser um filme leve, descompromissado e nem tão conectado com os originais, pode-se dizer que o objetivo foi atingido com sucesso. Pena que não conquiste nada além disso.

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Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do site Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!