Análises

Publicado em 11th dezembro, 2017 | by Giuseppe Turchetti

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Extraordinário

Certas discussões sempre serão pertinentes na vida. Sendo assim, o cinema, que carrega em seu cerne o papel mais importante da arte que, além de entreter, precisa questionar e discutir, constantemente traz ótimas histórias e lições para o grande público. Nessa linha segue Extraordinário.

O filme é uma adaptação do livro homônimo, escrito por R. J. Palacio, e conta a difícil vida de adaptação escolar do menino Auggie (Jacob Tremblay) que, ao nascer com problemas genéticos, passou por 27 cirurgias até os 10 anos de idade, deixando estampado em seu rosto as marcas do sofrimento da infância difícil. O espanto dos novos colegas de escola ao verem Auggie é inevitável e, consequentemente, as péssimas “brincadeiras”, de mal gosto, acompanham sua jornada.

Com uma pegada leve, sutil, quase infantil, o longa tem competência em tratar o delicado assunto do bullying, de forma educativa, lúdica. O diretor Stephen Chbosky, que também tem participação no roteiro, toma cuidado para não mergulhar o público em tristeza ou tentar forçar o choro, carregando o viés da situação cuidadosamente para que tudo se transforme logo em superação. Grande parte disso se dá as atuações de Julia Roberts e Owen Wilson, os pais de Auggie. A atriz, como sempre, dá show de atuação e representa a mãe que só tem olhos para o filho, desistindo de seus próprios sonhos e, no processo, negligenciando, até mesmo, sua filha mais velha. Wilson, também ótimo no papel, tem menos destaque, mas entrega o pai compreensível e divertido.

Embora a opção do roteiro e da montagem do filme em separar as etapas da história, simulando capítulos de um livro, acabe causando certos problemas de ritmo, uma vez que a segmentação inicia contos paralelos por várias vezes durante a projeção, a ideia é, ainda assim, bastante pertinente no desenvolvimento separado de cada personagem e ajuda a demonstrar, de forma clara e direta, como suas vidas são diretamente afetadas pelo protagonista do filme. Os momentos que narram as dificuldades da adolescência de Via (Izabela Vidovic), irmã de Auggie, são tão emocionantes quanto os do garoto e enriquecem a trama sem abusar da exposição do mesmo.

Graças ao grande carisma de Tremblay, o personagem principal carrega a trama com veracidade, conquistando os espectadores com uma boa mescla entre emoção e diversão sem apelar para o sentimentalismo.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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