Análises

Publicado em 28th julho, 2017 | by Giuseppe Turchetti

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Em Ritmo de Fuga

Passando por constante evolução na maneira de se mesclar com outros subgêneros, o gênero de ação é um dos mais antigos do cinema. E, ainda que seja difícil imaginar algo inovador após tantos anos de uso de fórmulas cinematográficas, Em Ritmo de Fuga mostra que, na verdade, foge é da mesmice.

Atendo-se apenas a ideia principal do longa, tudo soa como mais um filme de assalto e perseguições, com cenas de exageros mirabolantes e uma história pouco crível. O protagonista Baby, vivido por Ansel Elgort (escapando brilhantemente de ficar marcado pelo estilo de histórias adolescentes após A Culpa é das Estrelas e a série de filmes Divergente), é um habilidoso motorista que, ao perder os pais, ainda jovem, em um acidente, acaba se envolvendo no mundo do crime. Sendo, porém, um garoto de bom coração, ele sempre espera por aquele que seja seu último serviço sujo para poder recomeçar sua vida ao lado do recente interesse amoroso, Debora (Lily James). Como forma de aliviar um zumbido constante que herda do fatídico acidente, Baby passa a vida ouvindo músicas em seus fones o tempo todo. E a partir desse detalhe, a experiência se transforma.

A trilha sonora da vida de Baby toma conta do filme. Grande parte da projeção é acompanhada pela música que dita o tal ritmo da fuga, bem como o ritmo das batidas, dos tiros, dos acontecimentos. O trabalho de direção de Edgar Wright fica nítido da primeira à última cena, sincronizando até diálogos e elementos do cenário com as letras das músicas. E que trabalho, diga-se de passagem! A ação, dessa vez misturada com o musical, um dos mais puristas gêneros de Hollywood, funciona de forma leve e orgânica, dando dinamismo e despertando curiosidade. Tudo é tão bem pensado e organizado que, mesmo nos momentos mais tranquilos, é difícil piscar os olhos ou perder a atenção na história contada, também escrita por Wright.

É prudente, entretanto, não criar expectativas de total frenesi por toda a extensão do longa. Como todo álbum clássico de boas canções, o filme tem seus hits e seus refrãos, que levam o público ao deleite quase como um solo de guitarra, mas também tem suas baladas melódicas, lentas, que ajudam a desenvolver a história e seus personagens, dar escopo para nos importarmos e nos identificarmos com o protagonista. Tarefa favorecida pela atuação de Elgort, dando as expressões ideais para envolver os espectadores com poucas falas e muita atitude. Coadjuvantes de luxo como Kevin Spacey, Jon Bernthal, Jon Hamm e Jamie Foxx completam as excelentes e marcantes participações no elenco.

Contendo alguns deslizes que, em certos momentos, dificultam a suspensão da descrença em prol de facilitar o desenrolar do roteiro de forma conveniente, nenhum defeito é capaz de tirar o brilho de Baby Driver (no original). Estiloso e extremamente divertido e cativante, não só um filmão nos é entregue por Edgar Wright, mas, inclusive, um grande sopro de ar fresco à sétima arte.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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