Deadpool – The Game

No cenário atual onde os games e o cinema dão preferência para a exploração das origens de personagens já consagrados, onde a explicação e apresentação parecem obrigatórias para o entendimento da maior fatia do público, também em busca de novos adeptos, Deadpool já chegou derrubando tal tendência.

A introdução do jogo é breve, não procura demonstrar profundamente a história de Wade Wilson e logo mostra a que veio, jogando cenas engraçadas e piadinhas pra cima do jogador. Com o desenrolar da trama, nota-se que talvez a escolha da High Moon Studios em não pautar previamente as origens do personagem seja a mais acertada. Embora esse fator possa soar como uma homenagem apenas aos fãs que acompanham Deadpool nos quadrinhos, a própria evolução do roteiro faz o papel de escancarar a personalidade do anti-herói: totalmente insano.

O maior diferencial aqui é, além das inúmeras piadas e tiradas, o fato de Deadpool ser um personagem onisciente, permitindo que ele converse, inclusive, com quem está jogando, sugerindo ações e reclamando das barbaridades cometidas por nós. Seguindo a irreverência, Wade liga para os produtores da High Moon, algumas vezes, para pedir mudanças no roteiro do game, inserções de mini-games inspirados em clássicos como Mario e Megaman e outras bizarrices. Com duas outras vozes que existem em sua cabeça, certamente os diálogos não param. Deadpool talvez seja o protagonista mais insano que já controlei nas minhas experiências com games. As cutscenes são recheadas de gracinhas, sendo mais um motivo para arrancar risadas durante a apreciação.

Com o foco nitidamente no personagem e sua excêntrica personalidade, o jogo acaba decepcionando nos quesitos técnicos. Embora conte com a Unreal Engine, que dê fluidez já conhecida por vários títulos, e os gráficos contenham boas texturas de alta resolução, o visual do jogo deixa muito a desejar em vários sentidos. A variedade de objetos, texturas e personagens é muito pequena, causando a sensação de repetição e de que estamos quase sempre no mesmo lugar. Muitos glitches gráficos atrapalham a experiência, como barreiras invisíveis que prendem tanto Deadpool quanto seus inimigos no chão e nas paredes, além de objetos e corpos que atravessam paredes.

A mecânica de gameplay, um tanto saturada, nada inova. Embora seja um estilo bem aclamado, assemelhando-se bastante aos jogos de Devil May Cry, é apenas satisfatória. Bater, bater, cortar, amassar, atirar e bater mais é tudo que precisamos fazer. Com um arsenal não muito vasto, porém com grande número de upgrades de equipamentos, a jogatina ainda é bem divertida para os amantes do hack and slash, com chances, porém, de se tornar enjoativa para os menos entusiastas. Um diferencial pouco explorado foi a capacidade de teleporte do anti-herói, usado como contra-ataque e forma de escalar alguns obstáculos. Vale ressaltar que a jogabilidade não permite controle perfeito das ações e a posição da câmera atrapalha em vários momentos. Isso tudo aliado ao nível de apelação que as batalhas tomam nos capítulos finais, com números enormes de inimigos atirando e correndo atrás do jogador, podem ocasionar eventuais perdas de paciência e irritação (experiência própria!).

Durante o game, colegas de profissão de Deadpool também dão as caras, como é o caso de Wolverine, Psylocke, Vampira, Cable e Sinistro. Alguns deles têm participações bem irrelevantes, mas pior que isso, sofrem também da falta de esmero gráfico, apresentando visual bem simplificado.

Com vários problemas na composição, a dúvida que paira é se valeria, então, jogar esse Hack n’ Slash. Para responder isso vale analisar algumas questões. Para quem curte o estilo, vale sim! E quem não curte? Bom, neste caso, confesso que me cansava de apertar vários botões repetidamente durante o gameplay, porém minha motivação era acabar de uma vez com a fase atual para alcançar a próxima cutscene. A história não é um primor nem se aproxima disso. A virtude fica por conta, exclusivamente, das bizarras e insanas cenas protagonizadas (e brilhantemente dubladas por Nolan North) pelo mutante mais louco das HQs. Além de causar grande agrado aos adoradores de Deapool, este game certamente conquistará novos adeptos do personagem.

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