Análises

Publicado em 14th julho, 2017 | by Giuseppe Turchetti

Comments

Carros 3

Investindo, mais uma vez, em continuações, algo que até certo tempo atrás não era comum nos estúdios Pixar, o terceiro filme da franquia Carros chega aos cinemas com uma missão um tanto ingrata, já que seu antecessor não agradou tanto o público e a crítica.

Mostrando o protagonista Relâmpago McQueen como grande campeão já há anos, o inevitável envelhecimento começa a acomete-lo. A nova geração de carros corredores tem toda a tecnologia atual em favor de mais rendimento em pista. São mais aerodinâmicos, mais leves, mais resistentes, praticam suas habilidades em simuladores e têm treinamentos direcionados para característica de cada um. Qualquer semelhança com a vida real e o mercado de trabalho não é mera coincidência.

Tendo todo seu enredo baseado em superação, Carros 3 retorna aos bons tempos do primeiro filme ao focar naquilo que tem de melhor: a personalidade dos personagens, o que os torna, praticamente, humanos em forma de carros. Em busca das velhas amizades, de apoio, de motivações, McQueen parte em uma jornada introspectiva para reencontrar aquilo que outrora o fez campeão. Pode-se dizer que o roteiro é uma grande homenagem aos filmes de Rocky.

Outro ponto forte da sequência é a tentativa de ser mais inclusivo, visto que, por natureza, Carros foi concebido como algo mais voltado aos meninos. Introduzindo Cruz Ramirez, treinadora de McQueen, percebe-se que muito mais espaço foi dado não só a um personagem feminino, mas também aproveitaram para assimilar a minoria latina no centro da trama. Vale muito ressaltar o excelente trabalho de dublagem da equipe brasileira, que conta com nomes como Giovana Ewbank dando vida a Cruz, Fernanda Gentil, que dubla a personagem comentarista estatística das corridas e as inspiradíssimas participações dos narradores esportivos Everaldo Marques e Rômulo Mendonça, com direito aos seus bordões mais famosos.

Ainda que tenha um desenvolvimento real de McQueen, que inicialmente se comporta de forma egoísta, pensando apenas em vencer acima de tudo,porém aprendendo com os erros e até entregando uma bem-vinda reviravolta ao fim da trama, o filme é fraco se compararmos em um escopo maior de todo o universo Pixar. Apresentando uma quantidade enorme de referências e trocadilhos com o mundo real do automobilismo e, mesmo com a excelente qualidade da animação e superando o segundo longa da franquia, a trilogia Carros, infelizmente, não é a série de filmes mais incrível do estúdio da Disney, ainda que dentre tantas boas histórias, isso não seja, exatamente, um demérito.

Tags: , , , , ,


Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



Voltar para o Topo ↑
  • Curta o Censura Geek!

  • Posts Recentes

    Blade Runner 2049

    Blade Runner 2049

    A máquina de franquias hollywoodiana, dessa vez, voltou 35 anos no tempo para resgatar um clássico c[...]
    Kingman - O Círculo Dourado

    Kingman - O Círculo Dourado

    Famoso por não participar de continuações, nem o diretor Matthew Vaughn resistiu ao charme e a elegâ[...]
    Mãe!

    Mãe!

    Esse não é um filme para todos. E essa é frase que mais se encontra quando o assunto é o novo filme [...]
    Feito na América

    Feito na América

    A julgar pelo trailer de Feito na América, em que vemos Tom Cruise dando vida a um personagem espert[...]
    Atômica

    Atômica

    Fim dos anos 80, Guerra Fria, espionagem e Charlize Theron. Os elementos que compõem Atômica já fala[...]
  • Palavra NERD
    Pixelstree
  • Anúncios