Última estreia do circuito nacional em 2018. E para fechar esse ano maravilhoso, mais um filme da franquia Transformers? Pois é, essa seria uma notícia trágica não fosse por uma grande mudança: o diretor Michael Bay, responsável por todos os outros filmes, não mais está no comando. Finalmente!

Deixando completamente para trás a grandiloquência dos longas anteriores, Bumblebee apresenta uma história com escopo bem mais fechado, focado no personagem título, trazendo poucos robôs para a trama e permitindo muito mais espaço para o desenvolvimento da mesma. Dessa maneira, o núcleo humano do filme faz muito mais sentido e a protagonista Charlie (Hailee Steinfeld) aproveita do espaço em tela para conquistar empatia do público. O próprio Bumblebee é bem trabalhado, tem ótimos traços de personalidade e expressões, tanto faciais como corporais, se tornando fácil de nos relacionar com ele. Pela primeira vez na franquia, portanto, pode-se dizer que nos importamos com os personagens do filme.

Na lacuna da direção, Travis Knight assume o comando e coloca ordem na casa. A diferença no estilo dos diretores é gritante desde a primeira cena, uma sequência cheia de computação gráfica onde é possível distinguir absolutamente todos os elementos mostrados. Esse, aliás, é o maior mérito do diretor. Ainda que use alguns ângulos criativos e movimentações de câmera espertas, a cenas de ação merecem destaque pela coreografia bem definida e clareza nos movimentos. Se com Bay tais cenas eram completamente confusas e ininteligíveis, Knight trata de tornar a experiência agradável e embarcável, não deixando o público se perder e se desvencilhar da projeção.

Claramente voltado a uma faixa etária um pouco mais baixa, Bumblebee aposta também em piadinhas e um núcleo adolescente. No segmento da comédia, acerta na maior parte das gracinhas, mas desliza em certos momentos de humor menos inspirados. Exceto por Steinfeld, que já demonstrou grande potencial no filme Quase 18, os outros atores não entregam grandes representações que fujam de clichês exaustivos, como as patricinhas que zombam da protagonista, e não acrescentam quase nada na trama. A trilha sonora é ótima e evoca o clima oitentista do filme, porém exagera nesse elemento de estabelecimento de época. A entrada de músicas, repetidas vezes, de forma pouco natural na maior parte delas, deixa clara a tentativa de usar a trilha como elemento importante, quase como em Guardiões da Galáxia, mas peca por soar forçado e funciona apenas quando Bumblebee utiliza esse recurso como parte da narrativa.

Com um tom mais bobinho e aventuresco, uma história simples e roteiro simplório, mesmo que com boas sequências de ação, essa nova fase da franquia Transformers parece ter encontrado novo fôlego diante dos espectadores exaustos pelas traquinagens de Michael Bay. Não chega a ser um grande filme, mas certamente é espirituoso e divertido.

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