Análises

Publicado em 1st setembro, 2017 | by Giuseppe Turchetti

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Atômica

Fim dos anos 80, Guerra Fria, espionagem e Charlize Theron. Os elementos que compõem Atômica já falam muito por si só antes mesmo de conferirmos o filme. Acrescente a essa mistura o diretor em ascensão David Leitch, que co-dirigiu o fenômeno atual John Wick e tente imaginar o resultado disso tudo.

Apesar de ser um filme de ação honesto, o roteiro importa e muito no desenvolvimento da trama. Passando-se poucos dias antes da queda do muro de Berlin, a história coloca a espiã Lorraine (Theron), que trabalha para a coroa inglesa, em busca de uma lista com nomes de todos os agentes duplos das várias nacionalidades com interesses na Guerra Fria. Não é um enredo inovador, mas o filme já começa a mostrar a que veio pela execução da narrativa, que se passa em flashbacks, contando com certo dinamismo entre as lembranças e os momentos atuais.

Se há, porém, algo que Leitch já provou saber fazer, desde seus mais de 80 trabalhos com dublê em Hollywood, até sua condução de John Wick, é ação. É visível que as primeiras cenas de Atômica são levemente mais engessadas, com coreografia demarcada demais, mas a qualidade melhora a níveis impressionantes ao passar da trama. Brigas, perseguições, tiros, facas, seja como for o tema da violência, as cenas mostram peso das ações e se preocupam com as consequências geradas aos personagens, inclusive Lorraine, que também muito se machuca durante a missão. Não só a coreografia evolui como toda a fotografia acompanha a beleza do modo de filmar que Leitch propõe. Atômica é estiloso e tem uma direção de arte inspiradíssima, com muito neon, cores e composições de cena tiradas direto dos anos 80. Meio a toda essa loucura, o filme ainda consegue mesclar de forma inesperada uma trilha incrível recheada de músicas que, da mesma forma que embalaram a época, agora dão o ritmo das cenas, com direito a créditos finais regados a Under Pressure, do Queen e David Bowie.

Toda essa preocupação estética pode ser uma receita perigosa quando, por exemplo, os atores não seguram seus personagens. Felizmente, a escolha de elenco acertou em trazer Charlize para o papel principal. A atriz é imponente, fria e observadora em tela. Demonstra nuances e fraquezas nos momentos certos e impõe todo o respeito esperado da personagem, esbanjando talento, beleza e saúde no auge dos seus 42 anos. James McAvoy também dá vida a um agente misterioso e o faz com segurança, deixando público e crítica cada vez mais à vontade com suas atuações. Destaque também para a argelina Sofia Boutella, que inicialmente parece ter uma relação forçada com a protagonista, mas transmite naturalidade com o passar das aparições e alcança uma química incandescente com Charlize.

Ainda que beba muito da fonte dos longas de ação oitentistas, Atômica tem qualidade técnica muito afrente de suas inspirações, impressionando pela fotografia, coreografia e planos longos que vislumbram planos sequência, com ação ininterrupta por vários minutos. A sede de grandeza da obra como um todo ocasiona apenas um tropeço de roteiro que tenta ser maior a cada tomada, gerando demasiadas reviravoltas que causam um vai-e-vem com potencial incômodo ao término. Nada que estrague essa ótima experiência em tela grande.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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