Análises

Publicado em 1st dezembro, 2017 | by Giuseppe Turchetti

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Assassinato no Expresso do Oriente

Com uma coleção infindável de livros lançados, números suficientes para se tornar uma das maiores escritoras do século XX, Agatha Christie tem como maiores sucessos suas histórias que envolvem Hercule Poirot, um detetive excêntrico com meios incomuns de solucionar os mais complexos crimes. Não por acaso, Assassinato no Expresso do Oriente volta aos cinemas com essa nova adaptação, após já ter tentado a sorte em 1974.

Nessa nova roupagem, o que mais chama a atenção logo de cara é a direção de arte. Ambientado na primeira metade do século passado, o filme conta com uma classe rara de se ver, esbanjando charme nos figurinos, caracterizações, cenários e sotaques, tudo impecavelmente cativante. A direção de Kenneth Branagh, que também protagoniza o longa, é elegante e marcante não só pela eficiência narrativa, mas como pelo dinamismo das cenas que aproveitam muito bem dos ambientes abertos e fechados, com a utilização de ângulos não convencionais e fotografia exuberante.

Outro ponto acertado é o próprio detetive Poirot em que Branagh investe boa dose de seu carisma. O personagem é cativante e desperta curiosidade, conduzindo a trama com maestria e empatia com o público. Aliás, com um elenco que talvez seja o mais estrelado do ano, fica até difícil errar na construção de algum personagem. A produção não economiza nas contratações e traz Johnny Depp, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Judi Dench, Josh Gad, Michelle Pfeiffer e Daisy Ridley nos papéis de maior destaque. Com tantos bons atores, o tempo de tela é bem dividido e todos conseguem entregar ótimas interpretações que nutrem bem a função de deixar o público desconfiado sobre as motivações de cada um. Afinal, se houve um assassinato, há um assassino. Ou mais.

É nítido o esforço do roteiro para construir um suspense denso que, apesar disso, não se perca em mares profundos de complexidade. E o resultado é positivo. O filme consegue manter a atenção por toda sua duração utilizando-se de uma narrativa leve e explicativa, onde os espectadores vão se deleitando das pistas do mistério ao mesmo tempo em que o detetive as descobre. Dessa forma, é aberta a possibilidade para o público se sentir parte da história, tentando resolver o crime enquanto assiste. E com a chegada da solução, o filme ainda toma coragem de abrir discussão acerca da moralidade em torno do assassinato, se propondo a debater, ainda que breve e superficialmente, sobre a culpa e a justificativa para tal delito.

Contando com uma sequência já anunciada, Assassinato no Expresso do Oriente não esconde os sinais de que, realmente, foi concebido como franquia, que investiu no personagem central para conquistar fãs. Assim sendo, mostra-se pronto para alcançar tal objetivo entregando um primeiro longa bem resolvido e gostoso de se assistir.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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