Arranha-Céu: Coragem Sem Limite

O subgênero cinematográfico conhecido como filmes catástrofes já são realidade, praticamente, uma vez por ano no cinema. Agora com a renovação que coloca o nome de Dwayne Johnson como sinônimo desse tipo de filme, eles estão ganhando ainda mais espaço nas telonas.

O astro já estrelou Terremoto: A Falha de San Andreas e, mais recentemente, Rampage: Destruição Total, chega para mais uma empreitada nessa área, mas agora como um fator mais humanitário em seu personagem. Dessa vez, Johnson dá vida ao ex-agente do FBI Will Sawyer que, após uma missão malsucedida, acabou perdendo uma perna e se aposentando da profissão, tornando-se um simples avaliador de seguros. Tais fatores tornam o protagonista um tanto quanto vacilante, enfraquecido, diferente de outros personagens em que seu status quo é sempre confiante e heroico.

Na trama, o maior e mais tecnológico prédio do mundo é erguido em Hong Kong e, para poder inaugurar sua área residencial é preciso passar pelos testes de segurança que ficam a cargo de Sawyer. Com uma premissa simples e quase toda revelada logo no trailer, o roteiro mostra-se como uma mera desculpa para os acontecimentos de real importância: a ação. Para o filme, dirigido por Rawson Marshall Thurber, a história não passa de um fio condutor entre cenas absurdas de destruição e superação, onde Johnson corre, pula, se pendura, se suja, entre outros elementos típicos do gênero. A boa e velha fórmula do pai de família que não mede esforços para salvar mulher e filhos.

Ainda que conte com um arco bem definido do personagem principal e um excelente elenco de apoio, com destaque para Neve Campbell, que interpreta Sarah Sawyer, esposa do protagonista, os outros personagens caem diante do roteiro sem inspiração e viram apenas elementos com função determinada para fazerem a história andar, muitos deles sem a profundidade necessária para criar qualquer identificação com o público.

Claro que com o foco da produção na destruição e suas consequências, a melhor coisa que o filme nos entrega é a diversão que consegue causar nos seus absurdos. Fica óbvia a necessidade de muita suspensão de descrença em uma obra como esta que ainda busca certo realismo dentro do seu absurdo, mas acaba mergulhando em situações que beiram o impossível. Thurber consegue manter uma direção limpa e suave, que opta por câmeras que contemplam a ação ao invés de tremular desconfortavelmente por ela, permitindo compreensão de tudo que acontece em tela e admiração pela bela arquitetura que o arranha-céu apresenta.

Não indo nada além daquela diversão despreocupada, que não exige um mínimo esforço de quem assiste, Arranha-Céu: Coragem Sem Limite é genérico e esquecível, ainda que apresente bons e raros momentos que cumpram com seu objetivo de entreter sem compromisso algum.

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.