O filme “Alemão” de Eduardo Belmonte conta com um elenco forte dentro do cinema brasileiro, tendo Caio Blat, Mihem Cortaz, Otávio Müller, Cauã Reymond e Antonio Fagundes como os nomes mais conhecidos. O longa tem um olhar diferenciado dos filmes brasileiros sobre periferia e mescla o olhar do cinema com o olhar do documentário.

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Essa diferenciação do diretor no modo de compor seu filme nos faz observar que o cinema brasileiro está em fase de consolidação e amadurecimento, por outro lado, a crítica cinematográfica brasileira parece que ainda não consegue acompanhar esse ritmo evolutivo, fato que se explica de modo bem fácil, já que grande parte da crítica oficial é ligada à mídia tradicional, a qual é questionada de forma bastante visível ao longo do filme.

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Embora muito do que se tem dito sobre a trama seja negativo, nota-se que o enredo é bem articulado, composto por personagens sólidos, sendo um personagem em especial mais amplo e importante: a favela é a personagem mais complexa e ativa da trama.

Mais do que a história de cinco policiais, “Alemão” conta a história contemporânea do povo da periferia, que ainda hoje sofre com a sua situação social, que muitas vezes a coloca em uma posição de impotência. O filme é bastante preocupado em quebrar os paradigmas, infelizmente, existentes no que diz respeito ao morador da favela.

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Os policiais infiltrados são a prova cabal desse cuidado, é notável o drama vivido por cada um desses personagens, os quais entraram no trabalho com uma visão da favela e saem dele com muitas dúvidas e questionamentos: o que vai ser do morro quando os policiais forem embora? Como será feito o trabalho? Para quem está sendo feito o mesmo, para o povo da favela ou para a imagem do governo?

Essas perguntas permeiam a cabeça de nós, espectadores, ao longo da evolução da trama e a conclusão a qual chegamos não é pintada de um final feliz, como costuma ser nos filmes comerciais.

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Independente dos questionamentos mais profundos que o filme nos traz, “Alemão” vale a pena por seus personagens cheios de dualismos intimistas e muito bem vividos por cada um dos atores.

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Ao mesmo tempo o jogo de câmeras é interessante, nos colocando ora como mero expectadores, ora como participantes da cena em ação. Os jogos de cores e falta de cores, assim como a iluminação do filme também merecem atenção, pois são usadas de forma equilibrada e agradável, junto a isso temos uma trilha sonora bem encaixada e escolhida, trazendo quem assiste para mais perto da história.

Para quem gosta de cinema realidade mesclada ficção “Alemão” é uma boa escolha.

 

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