Análises

Publicado em 9th junho, 2017 | by Giuseppe Turchetti

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A Múmia

The_Mummy_2017_posterAs franquias têm sido o produto mais rentável de Hollywood desde sempre. De poucos anos para cá, esse conceito aumentou de forma a construir universos cinematográficos em que vários filmes são inseridos nesse mundo, compartilhando personagens e histórias, sem que sejam, necessariamente, continuações diretas uns dos outros. Conhecemos bem isso de estúdios como Marvel e Warner/DC e seus super-heróis, mas a Universal, há tempos, não quer ficar de fora dessa onda. Com essa premissa, renasce A Múmia, com nova roupagem e com a função de ser o ponto de partida para algo muito maior, o chamado Dark Universe.

Muito embora já tenha se passado 18 anos, ainda é fresco em nossas memórias aquele filme de 1999, estrelado por Brendan Fraser, onde todo o charme de uma fantasia com temática egípcia conquistou multidões de fãs que tornaram o filme (e suas sequências, nem tão aclamadas) em uma ótima fonte de renda para os estúdios. E é justamente essa lembrança viva em nossas cabeças que figura como o primeiro inimigo para esse remake. Nada do clima anterior é mantido. E o ponto negativo não é a diferença, e sim o tom desencontrado do filme.

Tom Cruise é o protagonista da vez, tentando arrecadar bilheteria pelo seu carisma e rosto bem difundido no mercado. Seu personagem, Nick, é canastrão e com valores bem duvidosos, o que adiciona certa graça em vários alívios cômicos até mesmo involuntários. Seu interesse amoroso, Jenny (Annabelle Wallis), uma especialista em Egito antigo, tem seu destaque em bastante tempo de tela, mas não consegue garantir o apelo do público com sua pouca empatia. Assim é, infelizmente, com os outros dois personagens que deveriam despertar imenso interesse: Sofia Boutella e sua incrivelmente bem caracterizada múmia, que cria boas expectativas de início, sendo prejudicada pelo roteiro a torna peça de adorno para a história, e Russell Crowe, atuando como uma espécie de encarregado por reunir tudo que é de mau no mundo, estudar e eliminar, contando, porém, com uma identidade fraca e mal desenvolvida.

Mummy

No quesito roteiro, o longa parece exaurir todo o lampejo de envolvimento em seus dois primeiros atos. O início promete uma aventura cativante, com cenas de ação dignas de Missão: Impossível, como sempre esperamos de Tom Cruise, que as faz muito bem, como sempre. Após a abertura da tumba, momento em que começa a jornada do monstro, o filme incorpora uma pegada assustadora que o torna muito interessante, entregando tensão e pequenos sustos. Promissor. Seria. A impressão que fica é que o ato final foi sacrificado em prol da obrigação dos produtores em convencer os espectadores sobre o futuro do tal Dark Universe. Ao invés de uma resolução contida e coesa, a opção acatada foi de tornar tudo muito maior, concedendo poderes ao personagem que deveria ser o elo humano de identificação com o público, prometendo retornos gloriosos para os filmes que estão por vir. Triste fim.

Perdendo a chance de aproveitar melhor a diversão conferida em alguns trechos da projeção, A Múmia ainda é aquele filme pipoca para ser assistido sem compromisso, embora esse fosse o real propósito da produção: o comprometimento geral com o novo universo de monstros do estúdio.

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Sobre o Autor

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, curso de Web Design, empregado no setor de TI como analista de suporte e desenvolvimento e colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté. Respiro o universo Geek todo o tempo. Os assuntos abordados pelo Censura Geek fazem parte da minha vida e é de grande satisfação deixar minha opinião aqui. Sou gamer desde a geração Atari, tive muitas HQs na infância, filmes e séries sempre me fizeram companhia. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!



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