Trolls 2

Trolls 2

Há 4 anos chegava aos cinemas o primeiro filme de Trolls, a animação musical que trazia Anna Kendrick e Justin Timberlake nos papéis principais, além de deixar como legado a música Can’t Stop The Feeling na cabeça de muita gente.

Com a trama seguindo a partir das consequências do predecessor, a animação, que chegou nos EUA antes da pandemia, mas só aterrissa em nossos cinemas agora, traz de volta seus protagonistas e opta pela fórmula padrão de sequências, aumentando o escopo geral e tentando criar um senso de urgência maior. A ideia de mostrar diferentes tipos de comunidades Trolls e seus respectivos gêneros musicais é ótima. A exploração visual criada para cada nicho e as possibilidades geradas são inúmeras. Inclusive, o nome original da produção, Trolls World Tour, combina perfeitamente com o clima, diferente do nome preguiçoso adotado por aqui.

Tratando-se de um musical assumido, elevado ao quadrado por, além do gênero, ter a música como tema central, o longa animado conta com uma excelente seleção de canções, sendo facilmente o ponto mais alto aqui. Apesar das escolhas acertadas, os números musicais, por outro lado, são simplificados e não trazem tanta grandiosidade no geral. Os demais gêneros musicais além dos centrais pop e rock, e dos coadjuvantes country e funk, não recebem a atenção merecida e só preenchem a trama. Em outros aspectos técnicos, a produção demonstra todo o esmero esperado de um filme com selo Dreamworks, tendo um visual detalhado e colorido. Prato cheio para o público infantil.

Os pesares da obra ficam por responsabilidade do roteiro raso e nada sutil. A mensagem por trás da trama é poderosa e atual, de grande importância, principalmente, para o público-alvo. Enxergar as diferenças, entende-las, aceita-las e aprender a conviver com elas é um assunto necessário e brilhantemente metaforizado e simplificado pelos gostos musicais das criaturinhas cantantes. A falta de profundidade, porém, fragiliza a história, estereotipa demais os personagens e não os trata com a devida atenção. Já a falta de sutileza da narrativa tira o peso emocional das cenas, resolvendo as problemáticas de maneira tão facilitada que as ações soam sem consequências reais. A lição moral deveria ser alcançada com amadurecimento e aprendizado, galgada pelo desenvolvimento emocional, tudo em seu tempo. O que acontece, entretanto, é a exposição literária dos acontecimentos por meio de diálogos óbvios que tiram dos espectadores a possibilidade de sentir a emoção, em troco de ouvir a palestra comum repetida em tela.

Apesar de menosprezar a capacidade de absorção das crianças e público em geral, Trolls 2 ainda tem uma jornada divertida mantida por personagens carismáticos e visual convidativo, músicas boas e uma vibe de celebração. Se visto sem grandes pretensões, é uma excelente opção familiar. Uma pena não explorar melhorar suas próprias boas ideias.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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