Malévola: Dona do Mal

Malévola: Dona do Mal

A concepção de Malévola: Dona do Mal não é nada intrigante em se falando da máquina lucrativa da Disney seguindo seu modelo de produção. Muito menos surpreendente é o filme em si, que apresenta bons efeitos especiais em certos momentos (como na apresentação das criaturas acordando nos Moors e a sucessão de cenas no ninho das criaturas das trevas) mas fraco em história. Os personagens também não agradam, mostrando que talvez nem eles mesmos estivessem contentes em dar continuidade depois da aceitação do bom primeiro filme. Um dos atores, o príncipe Phillip, interpretado pelo ator Harris Dickinson, mudou do primeiro para o segundo filme.

Nas primeiras cenas, humanos adentram nos Moors em uma busca patética por uma criatura mágica fofinha que não tem importância nenhuma para o desenrolar do filme. Na sequência, uma descoberta totalmente aleatória que seria importante no final do filme, mas que duvidosamente era sabida pelos personagens ali inclusos, é sucedida pela apresentação de um personagem, supostamente Angelina Jolie, mas que pelas intenções malévolas vê-se que se trata de um ser novo.

O filme conta a história de Aurora, que agora cresceu e se tornou rainha dos Moors, ignorando totalmente o passado desta, se casando com o príncipe Phillip. Este leva a prometida para conhecer o outro reino vizinho, não abordado no primeiro filme, mas belíssimo em termos de imagens, governado por seus pais, um rei bondoso e uma rainha suspeita.

O filme falha por não ter motivações que enrijeceriam o contexto e roteiro da história. A maioria dos personagens é tolamente enganada pela vilã do filme, desta vez a Rainha sogra, que é a única aparentemente dotada de inteligência, embora vazia das motivações, como já mencionado. Fiquei esperando um plot twist no final, onde ela revelasse o real motivo que ela teve para ameaçar o casamento entre Aurora e Phillip, mas nada ocorreu.

Os atores forçam sotaques britânicos, e Michelle Pfeiffer falha nesse quesito. Aurora existe no filme para dar sentido à Malévola, que vive para salva-la. No final do filme, você já terá achado isso exaustivo.

Há, também, a apresentação de novos personagens no longa. Fato interessante, mas que embutiu no personagem de Jolie uma referência tosca, que em nada condiz com a história original nem com o filme em si.

Basicamente, é um bom filme para se ver com a família. Não se mostra cansativo, mas alguns adultos poderão achar este um tanto infantil. Com mais cenas de luta e batalha, alguns personagens têm comportamentos infantilizados e ridicularizados, e algumas cenas de morte foram exageradamente eufemizadas para não surtir efeito assustador nas crianças.

Gian Seneda

Formado em Engenharia Mecânica, trabalhei como professor e coordenador de Inglês. Experimentei em minhas viagens pela Europa uma miríade de culturas e conheci o mar de pessoas que excede em muito o ínfimo tamanho do Atlântico. Procuro encontrar explicações para tudo aquilo que me interessa, e sou escorpiano.

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