Zumbilândia: Atire Duas Vezes

Zumbilândia: Atire Duas Vezes

Dez anos atrás o mundo do entretenimento estava em pleno auge dos zumbis, que dominaram todas as mídias. Em meio a essa saturação cultural, o primeiro Zumbilândia chegou como um sopro de ar fresco para a temática, trazendo o sarcasmo e a metalinguagem necessários para desconstruir a fórmula.

Cá estamos, final de 2019, e os mortos-vivos já estão longe do topo que alcançaram outrora, embora nunca seja tarde para retomar uma boa piada. Começando do jeito certo, a sequência traz de volta todo o elenco do predecessor, um dos fatores responsáveis pelo sucesso do filme. Todo o carisma dos atores e a química entre personagens foi mantida e é satisfatório acompanhar mais uma aventura com esse grupo desajustado que, praticamente, se tornou uma família no mundo devastado de Zumbilândia. Woody Harrelson, Jesse Eisenberg e Emma Stone são, basicamente, os mesmo de uma década atrás. A grande mudança fica por conta de Abigail Breslin e sua personagem Little Rock, que passou de uma pré-adolescente para uma adulta e acaba sendo responsável pelo ponto de partida da nova trama.

O roteiro de Atire Duas Vezes é o ponto mais fraco da produção. Convenhamos, porém, que uma história magnífica nunca foi o foco de comédias safas e satíricas e, mesmo não tendo uma narrativa complexa, é eficiente em motivar todos os envolvidos a partirem em suas jornadas. Em meio a isso, o destaque fica para os novos personagens apresentados durante o trajeto. Embora uns permaneçam na projeção por tempo menor que o esperado, a melhor adição foi Madison, que apesar de seguir um estereótipo bem batido no cinema, consegue ir além do já visto milhões de vezes e conquista o público com a esforçada atuação da atriz Zoey Deuth e suas engraçadas linhas de diálogo.

Outro agradável fator presente na obra é o retorno de Ruben Fleischer como diretor que, apesar de ter dado uma escorregada ao dirigir Venom (2018), ainda agrega muito estilo nas cenas de ação cheias de gore e métodos criativos de matar zumbis. Fleischer, inclusive, entrega uma excelente, intensa e complexa cena gravada como um plano sequência onde envolve vários personagens e demonstra domínio ao fazê-la. É de encher os olhos dos espectadores. A fotografia é outro ponto bem trabalhado que brinca com a alternância de cores mais acinzentadas em momentos de maior perigo, embora poucos, e mais vibrantes quando há mais sensação de tranquilidade.

Sem grandes invencionismos, Zombieland: Double Tap (no original) é competente em expandir a mitologia criada no primeiro filme e melhorar o uso das regras estabelecidas naquele tempo, juntamente com seus efeitos de letreiros na tela, já característicos. Apesar da história bem simples, o roteiro compensa com boas sacadas, autorreferências e momentos divertidos que, certamente, vão agradar aqueles que já gostam da franquia, ainda que funcione bem, também, como um passatempo até para quem não acompanhou o longa anterior. Para os entusiastas, o filme apresenta um grande fan service nas cenas pós-créditos.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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