Tempestade: Planeta em Fúria

Um sério candidato ao prêmio de reciclagem do ano parece ter chegado aos cinemas. Embora o gênero de filme desastre tenha representantes anuais na telona, dessa vez parece que estamos diante de uma nova roupagem para “2012”, filme lançado ironicamente em 2009, trocando, apenas, as motivações da trama.

Tudo começa com a desestabilidade climática no planeta, reação natural de anos de degradação da natureza. Para dar um fim definitivo nessa situação, os países ao redor do globo se unem para a construção de um ambicioso projeto espacial que envolve a criação de uma rede de satélites que envolve o planeta e, com base no controle de pressão, umidade e temperatura, passa a definir o clima certo para os lugares certos. No comando da equipe internacional temos Jake Lawson (Gerard Butler), que embora seja mostrado como um gênio da engenharia, tem certos problemas em ser político e seguir ordens. Fazendo a assessoria, seu irmão mais novo, Max Lawson (Jim Sturgess, que não consegue entregar grande atuação nos momentos mais emotivos), acaba assumindo o papel de líder na operação, atenuando as diferenças entre os familiares.

A justificativa do desastre é baseada em falhas no sistema de satélites, apelidado de “Dutch Boy”, que começa a enviar informações climáticas erroneamente para determinados locais que passam a sofrer de congelamentos abruptos, superaquecimento, tornados, entre outras catástrofes. Enquanto o protagonista vai para a estação espacial internacional, a trama terrestre se concentra no âmbito de interesses políticos sobre o Dutch Boy, emulando um clima de suspense e investigação, mas de forma leve e sem grandes cenas de ação. Toda essa questão mostra criatividade por explorar algo novo dentro da temática, buscando ar fresco em diferentes fontes de inspiração de ficção científica a espionagem.

Todo o frescor da reciclagem das cenas que parecem ter saído direto de “2012” acaba, porém, se esvaindo pelo roteiro pouco caprichado do longa. Durante a projeção, vários outros personagens são apresentados ao público como parte da equipe dos núcleos de protagonistas, mas são completamente esquecidos em seguida. Alguns retornam apenas para cumprir funções de amarração da história, sem qualquer desenvolvimento ou criação de empatia por parte do público. Outro fator responsável por desconectar os espectadores da obra são as previsibilidades que tiram um pouco o peso das reviravoltas que, supostamente, deveriam surpreender.

Limitando-se ao gênero que se propõe, Tempestade: Planeta em Fúria (Geostorm, no original), é divertido, conta com os elementos grandiosos de destruição em massa, efeitos visuais que, embora não sejam impecáveis, aproveitam bem da temática, principalmente nas cenas espaciais e subtemas políticos interessantes.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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