Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Carregando a alcunha de um dos filmes mais caros já produzidos fora dos EUA na história do cinema, a nova aposta do diretor Luc Besson é mais uma adaptação dos quadrinhos que ganha a tela grande, trazendo, porém, uma temática diferente dos habituais heróis e seus superpoderes.

Pertencendo ao gênero de ópera espacial, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas se passa em um futuro onde várias raças interplanetárias convivem pelas galáxias distintas. Há exatos 20 anos atrás, Luc Besson já havia feito algo parecido em O Quinto Elemento, limitado aos recursos da época. Dessa vez, parece que o diretor encontrou, em toda a tecnologia atual, reforço para pirar ainda mais em suas ideias de imensidão do universo. A criatividade é o ponto forte do longa. Apesar de muitos aspectos, realmente, serem trazidos dos quadrinhos originais, Besson não economiza em colaborar com novos conceitos para criação de tal rico universo.

Todo o investimento milionário da produção é facilmente identificável pelo esmero visual perceptível em cada quadro na tela. Cada nave, cada raça alienígena, planeta ou recurso tecnológico impressiona pela qualidade nos efeitos visuais e suas ambientações feitas para apreciação em 3D. Certas concepções são muito inspiradas e trazem até um ar de novidade para o público. Já em outros quesitos, fica clara a homenagem a outros filmes do mesmo estilo, como alguns efeitos sonoros que muito lembram a série clássica de Star Wars.

Após as primeiras cenas, responsáveis pela impressão positiva, porém, as demais características do longa não atingem o mesmo sucesso em segurar a obra como um todo. O protagonista do título, interpretado por Dane DeHaan, falha em quase tudo que se espera dele. Falta carisma, falta convencer o espectador sobre suas reais habilidades e importância para a trama e, principalmente, falta química com Laureline, sua parceira, vivida por Cara Delevingne. A forçada relação quase amorosa entre eles é empurrada goela abaixo pelo roteiro que, apesar de não ser ruim, é mal executado. Por muitas vezes, os diálogos beiram o ridículo com situações completamente destoantes. Já em outros momentos, o excesso de explicações em conversas puramente funcionais gera uma redundância enfadonha. Coadjuvantes de luxo como Ethan Hawke e Rihanna constroem, talvez, os personagens que mais serão lembrados por algum tempo após o término da sessão. E vale destaque para os alívios cômicos presentes por toda a extensão da projeção, por vezes intencionais, por outras, todavia, o riso acontece pelos motivos errados.

Quando friamente analisado, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas pode parecer apenas uma história mal contada mascarada por milhões de dólares em efeitos visuais, mas o empenho na criação de um novo universo, certamente idealizado para um sem fim de continuações, e a nítida boa vontade do diretor em entregar uma mensagem positiva ao fim da trama são aspectos sentidos nas entrelinhas e que ajudam a tornar a experiência de assistir ao filme mais divertida.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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