Dunkirk

Christopher Nolan é, sem dúvidas, um dos mais badalados diretores desse século. Sozinho, apenas seu nome é capaz de levar uma multidão de fãs aos cinemas para conferirem suas obras que sempre conseguem ótima aceitação do público e, por vezes, discrepâncias da crítica especializada. Dunkirk, filme que conta a história real da Operação Dínamo, ocorrida em 1940, em plena Segunda Guerra, é, no mínimo, obrigatório para quem gosta das telas grandes.

Definitivamente, Nolan não fez um filme para todos. O roteiro parte da apresentação de três frentes históricas diferentes, cada uma ocorrendo durante um período. Uma semana, um dia, uma hora. Com as três linhas narrativas se alternando sem se preocupar com as devidas apresentações de personagens ou apegos emocionais, o longa pode se tornar de difícil compreensão em seu ato inicial. Mas verdade seja dita: com êxito em prender a atenção de quem o assiste.

A tradicionalidade do protagonismo único é deixada de lado pelo cineasta que opta por tornar o fato em personagem principal. A história é maior que qualquer pessoa presente nela, afinal, haviam 400 mil soldados naquela praia, todos na mesma situação, acuados por forças nazistas. Embora a estrutura básica de todo filme seja exatamente a relação do público com seu protagonista e a criação de laços e sentimento de representação, Dunkirk se mostra muito competente e corajoso em se desprender de tais fatores, ainda que isso possa causar estranheza e afastamento da parcela mais casual dos espectadores. Aliando essa característica a outros diferenciais como pouco diálogo e muita tensão, a obra pode ser difícil de assimilar e parecer indigesta aos menos entusiastas do tipo de cinema oferecido por Nolan.

A trilha sonora excepcional de Hans Zimmer é praticamente onipresente, fazendo com que as batidas do coração de quem assiste fiquem sincronizadas com a ação em cena, bem como acalmando os ânimos quando é necessário. O clima é de desespero em tela e de desconforto no cinema. A angústia é constante, assim como no campo de batalha. Tanto fotografia como efeitos sonoros são impecáveis e capazes de causarem sensação ainda mais realista. Dunkirk é uma experiência sensorial que transforma seus olhos e ouvidos em catalizadores da história, que te transporta diretamente para dentro do filme. Não é apenas uma história a ser contada, mas uma experiência de guerra, nitidamente concebida para ser desfrutada com toda a imersão do cinema.

Contando com atores do calibre de Tom Hardy, Mark Rylance, Kenneth Branagh e Cillian Murphy, as atuações, tais como personagens, são apenas ferramentas que o diretor usa para atingir seus objetivos. Em seus curtos 106 minutos, Dunkirk consegue ter roteiro e montagem que brilham em convergir suas narrativas de forma inteligente, sendo frio, impessoal, tenso e incômodo. E uma vez que é feito para ser, exatamente, tudo isso, é perfeito naquilo que se propõe.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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