Transformers: O Último Cavaleiro

Eis que, sem ninguém pedir e com quase ninguém se importando, chegamos ao quinto filme de Transformers. E falar dessa franquia multimilionária do cinema exige, primeiramente, conhecimento sobre o grande pai e realizador de tudo isso: o diretor Michael Bay.

Em um sucinto, porém completo, resumo, pode-se dizer que Transformers 5 é Michael Bay sendo ele mesmo em sua mais pura essência. O diretor, que pode carregar o fardo de incompreendido ou até mesmo de ser afrente de seu tempo, tem características peculiares de fazer cinema. É inegável a qualidade visual e o esmero que Bay emprega em todo o longa. A fotografia é repleta de cores vibrantes e quadros bem construídos, com ótima utilização do espaço das cenas e profundidade proporcionada pelas câmeras 3D, já que tudo é filmado com a tecnologia, ao invés de ser convertido para o 3D na pós produção, como a maioria dos filmes de hoje. É um espetáculo técnico com primor em efeitos visuais e sonoros, digno do tamanho do orçamento disponível para toda a franquia. Toda essa tecnologia e plasticidade em prol de enfadonhos 150 intermináveis minutos de ação desenfreada (e explosões!) com a nítida irresponsabilidade com a história a ser contada, deixada em segundo, talvez terceiro ou quarto, plano.

Mostrando que os Autobots estão presentes em nosso planeta desde a idade média (o que não é grande coisa se levarmos o filme anterior em consideração, já que vimos robôs assumirem formas de dinossauros…), as primeiras cenas do longa mostram as batalhas de Rei Arthur e suas tropas no que é, mais uma vez, tecnicamente impecável na beleza do que vemos em tela. A magia do mago Merlin é dada como, na verdade, tecnologia alienígena usada como vantagem na guerra. Voltando ao presente da trama, são apresentados novos elementos e personagens que, no fim das contas, não vão servir para quase nada. O foco volta a ser nos humanos enquanto os robôs são coadjuvantes e ajudantes nas aventuras. Temos até um transformer mordomo. Mark Wahlberg retorna com sua atuação esforçada, mas não consegue a química desejada com sua companheira Laura Haddock. As piadas até tiram risos, algumas porém, não pelo motivo certo, mas pela vergonha alheia. E arriscar explicar um pouco mais sobre a história pode ser um esforço inútil. Risco o qual prefiro não me ater.

O filme até se preocupa com algumas questões, como a clara tentativa de se desculpar pela objetificação das mulheres em suas histórias anteriores, adicionando personagens femininas muito mais fortes e interessantes dessa vez. O desenvolvimento, porém, é pífio, visto que a ótima Izabella, vivida pela atriz de descendência peruana Isabela Moner, é deixada de lado por mais de uma hora até seu retorno conveniente apenas na luta final. Batalha que, aliás, parece acontecer cinco horas após o início do filme, ao passo que a tentativa de transformar todas as cenas em épicos particulares, a projeção parece durar muito além de suas duas horas e meia.

Contando com grandes furos de roteiros e vários elementos subutilizados, Transformers: The Last Knight (no original) ainda apresenta evoluções se comparado, principalmente, na ação com seus antecessores. Com cenas mais limpas e menos cortes frenéticos, é possível até entender, algumas vezes, o que acontece realmente em tela. Vale a menção para a excelente representação visual de Cybertron, o planeta dos robôs e todos os diferentes Transformers das mais variadas formas. Enfim, esse, definitivamente, não é um filme para reflexões ou ensinar lições. Mas para desligar o cérebro e curtir a insanidade e incoerência de robôs gigantes que se transformam em carros e demais máquinas enquanto lutam por algo que nem entendemos (e nem queremos mais entender!) direito.

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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