A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

ghost_in_the_shell_posterNão é costumeiro vermos lançamentos hollywoodianos inspirados em obras originais japonesas, como mangás e animes. Talvez a lembrança mais marcante que temos disso, embora quiséssemos esquecer, seja Dragonball: Evolution (2009), que de tão ruim, fechou a porta para demais adaptações do estilo. Anos depois, já é hora da indústria superar o trauma, afinal existem excelentes histórias que vêm das mídias orientais e, definitivamente, Ghost in the Shell é um dos principais nomes acerca do assunto.

Passada em um futuro nem tão distante, a história de A Vigilante do Amanhã (nome este que chega apenas ao Brasil, país dos subtítulos no cinema) mostra o mundo evoluído tecnologicamente da forma que imaginamos nos dias de hoje. Humanos e máquinas se mesclam na tentativa de criar o aprimoramento da nossa raça e, com isso, tantos questionamentos éticos. E por falar em questionamentos, esse é o grande forte da obra original, já adaptada para o anime. A riqueza do universo de Ghost in the Shell, bem como suas reflexões e filosofias são tão contundentes que inspiraram inúmeras outras produções mundo afora, tendo como exemplo o aclamado Matrix (1999).

O mais impressionante dessa versão cinematográfica é a fidelidade visual que o diretor Rupert Sanders consegue atingir em relação ao material original. Tudo em tela é lindo e deslumbrante, desde a quase terapêutica e lenta criação da protagonista Major (Scarlett Johansson) e as minúcias de cada detalhe de cenários e personagens, até em escala muito maior, como as panorâmicas pela cidade futurista cheia de luzes e hologramas coloridos. Além disso, a recriação de enquadramentos e cenas completas do anime deve agradar os fãs mais fervorosos. Essas características são atingidas graças aos eficientes efeitos visuais e fotografia inspirada do longa.

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Em contrapartida de ser graficamente impressionante, o roteiro, porém, opta pelo caminho das produções mais abrangentes e procura uma narrativa mais fácil e rasa, ainda que a essência seja mantida, mantendo a boa relação entre os personagens e construindo, da mesma forma, um bom desenvolvimento para Major. Tudo isso funciona bem para o modelo de filme proposto desde sua concepção, que não por acaso já decidiu por mudar a etnia da protagonista, em relação ao original, para contar com um rosto de grande expressividade mercadológica, atraindo para o cinema não só os fãs do mangá e/ou anime. Outro fator que demonstra a intenção de atingir um público maior fica por conta das cenas de ação que aliviam na intensidade e utilizam de cortes rápidos que tiram foco da violência, tornando certas partes confusas, inclusive.

Embora abra mão da profundidade dos assuntos abordados, A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell consegue o feito de ser respeitoso e inovador, traduzindo de forma mais leve toda a experiência complexa das obras anteriores sem deixar de trazer uma nova visão da história, por mais que a mesma ainda vá se manter atual por muito tempo.

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Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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