Power Rangers

Power Rangers

power_rangers_posterOs anos 90 estão, definitivamente, de volta. Pelo menos no cinema. Com isso, nada mais óbvio que trazer o maior sucesso televisivo da época para as telonas. Esse foi, exatamente, o pensamento dos produtores da Lionsgate para criar uma releitura moderna dos aclamados heróis coloridos baseados nos Super Sentai japoneses.

Apesar das dúvidas sobre o tom dessa modernização, uma vez que a série de TV sempre foi vista como uma grande galhofa que só agradava crianças, o diretor Dean Israelite optou por manter fixos os pés no chão, dentro das possibilidades que tinha. Uma abordagem realista tenta basear a trama, mas sem grandes explicações desnecessárias, em um mundo crível e menos espalhafatoso. Ponto positivo para Israelite, que permite ao longa um apelo super-heroico que já se encontra na zona de conforto da maior parte dos espectadores.

Repaginando por completo os protagonistas, o filme opta por trazer adolescentes de grande representatividade tanto étnica quanto comportamental, com personagens de várias nacionalidades e tratando de assuntos como autismo e opção sexual. Sendo claramente uma história de origem, a ação e as batalhas são raras, dando espaço para estabelecer uma narrativa mais concisa, ainda que sem grande profundidade dramática, uma vez que as pouco mais de duas horas de projeção parecem pouco para o desenrolar de tantas relações. Os dramas, porém, são bem construídos e o roteiro dá grande destaque ao desenvolvimento dos jovens, surpreendendo mais uma vez em relação ao material original que mal tinha espaço para sair do modelo padrão de lutas e monstros gigantes de todo episódio.

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De toda a boa escalação do elenco, Elizabeth Banks, sem dúvidas, rouba a cena entregando uma vilã perfeita para a proposta do filme. Sua Rita Repulsa equilibra todo o realismo que chega a flertar com modos de filmagem do gênero de horror com a leveza de uma vilã caricata que pretende destruir o mundo. Os Rangers, por sua vez, convencem em seus papéis de equipe desajustada que precisa se unir por um bem maior, superando seus dilemas pessoais e tornando-se pessoas melhores. Quando se aventuram, entretanto, em um clima mais descontraído, nem sempre o senso de humor é o mais apurado. Falta um tempo melhor para a comédia e, talvez, piadas melhores e mais naturais, que não destoem em cena.

A grande cereja do bolo fica para o final, com poucos minutos em tela. Vale lembrar novamente que fica clara a intensão de uma narrativa preparativa para eventos maiores no futuro. Proposta essa que pode agradar os mais pacientes e otimistas, mas certamente enfurece aqueles que buscam assistir os Power Rangers em ação. Na curta sequência de batalha, os Zords, robôs gigantes pilotados pelos heróis, ganham notoriedade. Infelizmente, diferente dos personagens criados por todo o decorrer da trama, os robôs falham na criação de carisma. Alguns deles têm visual genérico e de difícil identificação. Até mesmo a união de todos eles em um só mecanismo, o MegaZord, não atinge o êxtase necessário para o clímax, ainda que funcione como divertimento. Já os efeitos visuais atingem bons níveis, com poucos deslizes, para o relativamente baixo orçamento do longa, que pode ajudar a justificar as raras cenas de ação real.

No fim das contas, a nova versão de Power Rangers, que já foi dita pelos produtores que é pensada como uma história para seis filmes, é divertido e surpreendentemente desenvolvido em termos de características de personagens, principalmente se levada como produto inicial de grande franquia. Além disso, levando em consideração o grupo de desconhecidos e desajustados que, de repente, se unem para salvar o mundo da grande ameaça de uma bruxa má, podemos dizer que Power Ranges é o Esquadrão Suicida (2016) que deu certo.

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Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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