Logan

Logan

Quase duas décadas de dedicação ao mesmo personagem. Vivendo uma constante de altos e baixos – mais baixos que altos, diga-se – Hugh Jackman se consagrou tanto na pele do mutante mais conhecido dos quadrinhos que era a única certeza que os fãs poderiam ter em qualquer nova continuação dos X-Men. Era.

logan-1Um filme que nasce com o fardo de ser uma despedida a altura do personagem é totalmente imerso em um cenário de cobrança e desconfiança, principalmente após a fraca campanha dos longas anteriores. E na maior demonstração de amadurecimento é que, não só Jackman, mas também o diretor James Mangold (de Wolverine: Imortal, 2013), compreendem o ambiente hostil que adentraram e retornam fortalecidos para essa história definitiva do mutante.

É nítido, logo na primeira impressão, que Logan traz uma drástica mudança na proposta fotográfica do filme, desta vez pendendo para um lado mais artístico. Os enquadramentos distantes ilustram bem o deserto das fronteiras entre México e Estados Unidos, com tons um tanto pálidos e apáticos que ilustram, indiretamente, a passividade do protagonista diante da vida, enquanto tomadas fechadas dão valor para excelentes atuações, que não costumam ser foco no gênero super heroico. Outra escolha dos produtores que se mostra sábia foi subir a classificação indicativa para maiores de 18 anos, tornando o tom da história muito mais urgente, com perigos e consequências reais da violência que assombra aqueles que a praticam.

Ainda que não alimente dependência pelo passado, mesmo tendo pequenas referências de fatos anteriores, a verdadeira intensidade do roteiro só é alcançada em sua plenitude por aqueles que, nos últimos 17 anos, cresceram junto com Wolverine. Roteiro este que, apesar de tanto esforço de Mangold e Jackman, não chega a ser um primor de grandiosidade, mas que funciona tão bem devido a qualidade de execução do mesmo. Não só as homenagens e suas narrativas subentendidas na interpretação das entrelinhas aumentam a densidade do longa como um todo (a história em quadrinhos dentro do filme, por exemplo), como outro destaque de enorme peso adicional fica por conta das atuações sensacionais de Patrick Stewart, mais uma vez dando vida ao professor Charles Xavier, e Dafne Keen, que nem precisa de muitas palavras para conquistar facilmente o público, na pele da pequena menina Laura.

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Ao optar por manter os pés no chão, Logan não necessita de efeitos visuais megalomaníacos, embora seja competente, mais uma vez, em demonstrar graficamente a violência e o sofrimento. Sendo assim, o destaque vai para o trabalho impecável de maquiagem, capaz de estampar no rosto dos personagens o cansaço e o desespero pelo destino que a vida lhes reservou.

Abrindo mão da pretensão de salvar o mundo, o filme praticamente esquece o heroísmo e dá lugar para uma profundidade muito maior de desenvolvimento de história, o que acaba salvando, em contrapartida, sua própria alma. Indo muito além de ação e aventura, não é possível esquecer que trata-se, primeiramente, de uma narrativa de despedida e, como não haveria de deixar de ser, despedidas são histórias tristes.

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Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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