John Wick: Um Novo Dia Para Matar

John Wick: Um Novo Dia Para Matar

johnwicksmallDos anos 2000 em diante, quando os filmes de ação parecem ter pendido vertiginosamente para uma estética realista, apressada, com movimentos rápidos de câmera e cortes secos, foram 14 anos até que o gênero apresentasse sinais de saturação. Intitulado no Brasil como De Volta ao Jogo, o primeiro John Wick surgiu como um refresco, ainda que trouxesse consigo muitas nuances da década de 1990.

Tudo que foi introduzido no longa anterior ganha mais espaço nessa continuação. É certo dizer que o universo próprio criado em De Volta ao Jogo (2014) mostrou possibilidades imensas de expansão para uma franquia, deixando um saboroso gosto de curiosidade e vontade de saber mais sobre ele. E é apostando justamente em ampliar a mitologia desse mundo dos assassinos que o segundo capítulo dessa história obtém êxito. A ordem no mundo dos criminosos mostra sua complexidade, bem como adiciona elementos à trama capazes de render outras tantas boas narrativas, como a alta cúpula e a organização dos moradores de rua.

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Tão instigante quanto o universo é o próprio personagem John Wick, que podemos reafirmar ter nascido para ser Keanu Reeves, ou vice-versa. O ator mostra, mais uma vez, que compreende mais do que ninguém o que está fazendo. Exímio lutador, atirador, concentrado, o “homem foco”, como é chamado em determinado momento, Wick protagoniza momentos de tirar o fôlego e deixa uma verdadeira pilha de vítimas por onde passa. O alto grau de violência gráfica aliado a uma cafonice extremamente planejada mostra as cenas de ação quase como uma ópera sangrenta, como as músicas são para o gênero musical, porém aqui com embates cheios de coreografias de luta. Até mesmo os cenários apresentam esmero visual impecável, garantindo o dinamismo e clareza do que está em tela. Méritos do dublê e diretor Chad Stahelski, que já havia feito ótimo trabalho quando dividia a direção com David Leitch no longa anterior. A opção pelo uso de câmeras fixas torna a ação limpa e pesada, que ganha ainda mais peso com os efeitos sonoros intensos dos tiros e ossos quebrados, que se destacam na projeção.

Diante de tanta imersão de estilo estético, fica óbvio que o foco passa longe de ser em uma história profunda e cheia de reviravoltas. Simples e objetivo, o roteiro dá segmento direto a partir dos acontecidos em De Volta ao Jogo. Apesar de ser previsível, funciona bem para o que o longa se propõe e não perde tempo, mesmo sendo competente em demonstrar as consequências das ações de Wick e as motivações de cada um dos personagens destacados, ainda que vários deles não durem muito tempo.

John Wick: Chapter 2 (no original) só é inferior ao seu antecessor no quesito surpresa. A expectativa para o primeiro filme era quase nula, causando grande furor ao superar até os mais otimistas dos espectadores. Em compensação, melhora todos os quesitos que fizeram dessa franquia uma das mais adoradas do gênero atualmente.

4

Giuseppe Turchetti

Formado em Ciência da Computação, técnico em Informática, analista de suporte, colunista de cinema no jornal Diário de Taubaté e administrador do Censura Geek. Respiro o universo Geek todo o tempo. E ainda não conheço um fã de Batman maior que eu!

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